Restrepo propõe dissolução de partidos governistas ligados a paramilitares

Bogotá, 4 mai (EFE).- O alto comissário para a Paz colombiano, Luis Carlos Restrepo, propôs a dissolução dos partidos da coalizão que apóia o presidente colombiano, Álvaro Uribe, que mantenham ligação com os paramilitares, para evitar que o governante assuma uma indevida responsabilidade histórica.

EFE |

O funcionário declarou, em entrevista publicada hoje pelo jornal colombiano "El Tiempo", que vários partidos se aproveitaram da boa imagem do Chefe de Estado para serem eleitos no Congresso, e disse que esses movimentos políticos "não foram controlados adequadamente".

"Os partidos da coalizão de Governo têm que apresentar ao país um discurso mais responsável sobre o que está ocorrendo. Caso seja necessária uma autocrítica profunda, que seja feita, e se for necessário dissolver esses partidos, que sejam dissolvidos e que a cidadania seja convocada de novo", afirmou Restrepo.

O comissário se pronunciou em referência a um escândalo por causa da ligação de congressistas e dirigentes políticos com os chefes das forças paramilitares Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). Dentre eles, 65 estão sob investigação judicial e 33 já foram detidos.

Esse escândalo, chamado de "parapolítica", fez com que a imagem positiva do Congresso da Colômbia caísse de 53% para 32%, segundo uma recente pesquisa divulgada pelo jornal.

A enquete, realizada entre os dias 24 e 28 de abril, também mostrou uma mudança na imagem desfavorável do Congresso, que subiu de 35% para 54%.

"Eu acho que é necessário pedir responsabilidade aos partidos porque, caso contrário, eles irão descarregar toda uma responsabilidade histórica sobre o presidente, e isso também não é justo", acrescentou Restrepo.

O comissário acrescentou que, no próximo dia 31 de dezembro, será colocado um ponto final na Lei da Justiça e Paz, por meio da qual foram desmobilizadas as ultradireitistas AUC.

"Estamos trabalhando em um decreto de encerramento da Lei de Justiça e Paz, para terminar com este processo também. Achamos que deve ser dado um tempo, e quem não confessar os delitos ou quem não entregar os bens nesse período corre o risco de perder os benefícios e ir para a Justiça comum", disse Restrepo. EFE fer/bm/gs

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