Restos descobertos em 2007 são dos filhos do czar Nicolau II

Os restos humanos descobertos em 2007 na região de Ekaterinburgo (Urais) são do filho do czar, o czarevich, e de sua irmã Maria, assassinados com toda a família imperial há 90 anos, concluiu a Procuradoria russa, citada nesta quarta-feira pela agência de notícias Interfax.

AFP |

A Procuradoria confirmou que todos os resultados científicos de um teste de DNA coincidem com a hipótese de que esses fragmentos de corpos são do filho Alexei e de uma das quatro filhas do último czar da Rússia, Nicolau II.

A família imperial russa foi executada, na madrugada de 17 de julho de 1918, na região de Ekaterinburgo, por ordem dos bolcheviques, que tomaram o poder na Revolução de outubro de 1917.

Por conta da data, uma procissão religiosa já percorria hoje as ruas de Ekaterinburgo, onde centenas de fiéis russos ortodoxos se preparam para comemorar o 90º aniversário da morte de Nicolau II e de sua família.

"Chegou a hora de restituir o que foi destruído", declarou o arcebispo Vikenty, na Igreja do Sangue Derramado, santuário erguido em 2003, no local onde Nicolau II, sua mulher, os cinco filhos, seu médico e três serviçais foram mortos.

"Vim por uma coisa: o perdão", afirmou Alla Solodovnikova, de 67, que fez uma longa viagem de Kaliningrado, nos confins do oeste russo.

"Nicolau amava seu povo. Ele levantou a Rússia e fez da Rússia uma grande potência", declarou a religiosa Nina, de 71.

Os resultados publicados hoje foram obtidos graças a três análises: uma, no Instituto de Genética Vavilov, na Rússia; outra, em um laboratório do Pentágono, nos Estados Unidos; e um terceiro teste, na cidade austríaca de Innsbruck, informou Vladimir Soloviev, pesquisador da Procuradoria russa, à televisão Rossia.

Os corpos dos demais membros da família Romanov - do czar, de sua mulher e de suas outras três filhas -, retirados de uma vala comum de Ekaterinburgo, em 1991, foram oficialmente identificados em 1998 pelo governo russo e enterrados com grande pompa na antiga capital imperial de São Petersburgo.

Houve, então, uma grande polêmica sobre a autenticidade dos corpos, com a Igreja ortodoxa russa questionando os resultados dos testes de DNA. Nova análises dos restos de Nicolau II devem ser realizadas ainda este mês.

Um porta-voz do Patriarcado de Moscou pediu comedimento sobre os resultados dos testes ligados a Alexei, deixando claro que "há dúvidas persistentes em alguns, sobretudo, nos cientistas".

Até mesmo os descendentes dos Romanov se encontram divididos.

Em declarações à AFP, na segunda-feira, a grande duquesa Maria Vladimirovna, que se proclamou herdeira do czar, avaliou que "apenas a opinião da Igreja conta".

Já um representante de outro ramo da família, o príncipe Dmitri, que está em São Petersburgo para as comemorações, manifestou sua "satisfação" com as conclusões sobre o czarevitch.

A imagem da família do czar mudou desde a queda da União Soviética e quando a Igreja Ortodoxa canonizou seus membros. Uma das últimas pesquisas sobre o assunto, de 2005, mostrava, porém, que 56% dos russos ainda têm um olhar muito crítico a respeito disso.

Ekaterinburgo é o lugar central das comemorações, cujo momento mais importante será na quinta-feira, data exata dos 90 anos da execução. Ao final de um ofício noturno, os peregrinos farão 18 km a pé, rumo a uma mina abandonada na qual os corpos foram jogados antes de serem borrifados com ácido.

Não está prevista a presença do presidente russo, Dimitri Medvedev, que repete a atitude prudente de seu predecessor, Vladimir Putin, a respeito dos temas soberanos.

Para o historiador Anatoli Outkine, o Kremlin não quer tomar posição, "porque não quer incitar paixões sobre esse personagem controverso, fraco e ineficaz, para uns, e mártir piedoso, para outros".

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