Resolução francesa pede retirada completa de tropas da Ossétia do Sul

Nações Unidas, 11 ago (EFE).- O projeto de resolução que a França apresentou hoje no Conselho de Segurança da ONU pede a retirada completa das forças russas e georgianas do território da Ossétia do Sul, e o retorno para suas posições anteriores a 7 de agosto, quando se iniciou o conflito.

EFE |

A minuta, a qual teve acesso a Efe, pede o fim "imediato e incondicional das hostilidades" e enfatiza a necessidade urgente de que todas as partes se abstenham de seguir utilizando a força.

O embaixador adjunto francês perante a ONU, Jean-Pierre Lacroix, anunciou a apresentação do documento na reunião de emergência realizada hoje pelo Conselho de Segurança, a quinta do órgão desde a sexta-feira passada.

O pedido de retirada das tropas prevê que as forças russas que se encontram em território georgiano desde a sexta-feira passada retornem a seu país, possibilidade a qual Moscou se opõe.

Por sua parte, Tbilisi manifestou seu acordo com o conteúdo da resolução, que também "reafirma o compromisso dos Estados-membros (da ONU) com a soberania, a independência e a integridade territorial da Geórgia dentro de suas fronteiras internacionalmente reconhecidas".

Tanto a Ossétia quanto a também separatista Abkházia são consideradas pela comunidade internacional como partes da Geórgia, apesar de sua separação de fato desde os anos 90.

A resolução francesa pede às partes que iniciem imediatamente negociações com o objetivo de chegar a uma solução pacífica e perdurável.

Nesse sentido, expressa um "firme respaldo" às diferentes mediações iniciadas pela comunidade internacional, citando em particular a da União Européia (UE) e a da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (Osce).

A minuta manifesta a "grave preocupação" pela explosão da violência na Ossétia do Sul e sua extensão a outras zonas da Geórgia, incluindo a Abkházia.

Além disso, o país se declara "consternado" com o fato de as hostilidades estarem ocorrendo durante os Jogos de Pequim 2008, iniciados em 8 de agosto. A Assembléia Geral da ONU havia pedido para que fosse respeitada uma "trégua olímpica" durante o evento.

O embaixador da Rússia perante a ONU, Vitaly Churkin, assegurou, na saída da reunião do Conselho de hoje, que tinha lido a minuta, e lamentou que seu país não tivesse sido consultado na hora de redigir-la.

Ele considerou sua apresentação "prematura", e antecipou a oposição de seu país ao texto, por omitir a "agressão e as atrocidades georgianas" na Ossétia do Sul.

Moscou sustenta que a Geórgia deve retirar todas as suas tropas da Ossétia do Norte e comprometer-se a não empregar mais a força contra suas regiões separatistas antes que se possa declarar uma cessação das hostilidades. EFE jju/gs

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