Resgatistas buscam sobreviventes de terremoto, contam 400 mortos

Por Mario Naranjo CONCEPCIÓN, Chile (Reuters) - Equipes de resgate usavam pás e marretas neste domingo no Chile para encontrar sobreviventes e vítimas do grande terremoto que desencadeou um tsunami no Pacífico e disparou saques de moradores desesperados do país.

Reuters |

Autoridades elevaram o número de mortos causados por um dos mais poderosos terremotos do mundo em um século para mais 400 pessoas.

Centenas de milhares de casas e estradas na região central do Chile foram destruídas, em um duro golpe à infraestrutura do maior produtor de cobre do mundo e uma das economias mais estáveis da América Latina.

O prejuízo econômico causado pelo desastre estaria entre 15 e 30 bilhões de dólares informou a empresa de análise se risco Eqecat.

Alguns economistas projetam um profundo impacto na economia após o terremoto abalar setores da indústria e da agricultura das regiões mais afetadas, o que possivelmente vai pressionar o peso.

Em Concepción, a cerca de 500 quilômetros ao sul de Santiago, cerca de 100 pessoas podem estar presas em um edifício de apartamentos que desmoronou.

"Passamos a noite toda trabalhando, quebrando paredes para encontrar sobreviventes. O maior problema é combustível, precisamos de combustível para manter as máquinas operando e água para as pessoas", afirmou o comandante da equipe de resgate, Marcelo Plaza.

A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar uma multidão de saqueadores que corriam com pacotes de comida e produtos eletrônicos de um supermercado. Imagens da televisão mostraram pessoas enchendo carrinhos de supermercado com produtos e a onda de saques se espalhava para outras lojas.

"As pessoas ficam dias sem comer. A única opção é vir aqui e pegar as coisas nós mesmos", afirmou Orlando Salazar, um dos saqueadores do supermercado.

A prefeita de Concepción, Jacqueline Rysselberghe, disse que a situação está "fora de controle" por causa da falta de produtos básicos.

"Temos uma situação muito complicada e as pessoas estão se sentindo muito vulneráveis", afirmou ela à rádio local, acrescentando que os saques são "totalmente injustificáveis".

NOVOS ABALOS

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, afirmou que o sismo de magnitude 8,8 que atingiu o centro e o sul do país afetou 2 milhões de pessoas e que vão ser necessários vários dias para uma avaliação completa de uma "enorme quantidade de danos".

O terremoto destruiu 1,5 milhão de casas, arrasou estradas e derrubou pontes, em um grande desafio de reconstrução para o presidente-eleito Sebastian Piñera, que assume a Presidência do Chile em duas semanas.

Carros esmagados, linhas de energia derrubadas e escombros se espalham em meio a edifícios destruídos de Concepción, que tem cerca de 670 mil habitantes e está a 115 quilômetros de distância do epicentro do terremoto.

Uma série de abalos subsequentes atingiram o país e um mais forte balançou prédios na capital no início deste domingo. Enquanto isso, milhares de moradores de Concepción acamparam em barracas ou abrigos improvisados, temendo que novos tremores possam derrubar novos prédios.

Neste domingo, algumas pessoas percorriam Concepción empurrando seus pertences em carrinhos de supermercado. Outras acampavam no centro da cidade, onde os únicos carros que circulavam eram os da polícia.

"Me disseram que meus móveis foram perdidos, minha televisão, minha geladeira. Não me importo. O bom é que minha família está bem", disse Francisco Luna, de 42 anos, em uma rua de Concepción.

Os tsunamis provocados pelo terremoto no Chile atravessaram o Pacífico e obrigaram a retirada da população em regiões costeiras do Japão e da Rússia.

MINAS

A mineração, uma das principais fontes de receita do país, sobreviveu ao terremoto e, segundo o governo, não terá problemas para cumprir com seus compromissos de exportação, embora algumas minas estivessem fechadas por falta de energia elétrica neste domingo.

A maior mina de cobre do mundo, Escondida, da BHP Billiton, funcionava normalmente, segundo o líder sindical Zeiso Mercado.

A estatal Codelco, maior produtora de cobre do planeta, suspendeu os trabalhos nas minhas de El Teniente e Andina por falta de eletricidade, mas os depósitos não sofreram danos graves e devem retomar a produção em alguns dias.

O abalo sísmico também afetou as refinarias Aconcagua e Bío-Bío, da petrolífera estatal ENAP.

As filas de veículos aumentaram nos postos de combustível abertos em Santiago, apesar de a ENAP ter descartado problemas de abastecimento.

Em Talcahuano, um dos principais portos do país, perto de Concepción, o tsunami destruiu vários barcos e os deixou no cais.

E em Santiago, o aeroporto internacional permanece fechado devido aos estragos provocados na torre de controle, e as comunicações telefônicas ainda enfrentavam dificuldades.

CUSTO HUMANO

Apesar da destruição, o custo humano do terremoto, o quinto mais forte desde 1900, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, foi muito menor do que o sismo que devastou o Haiti em janeiro.

Especialistas disseram que o Chile, localizado em uma das zonas mais sísmicas do planeta, estava melhor preparado.

Ainda assim, dezenas de pessoas continuavam desaparecidas em Juan Fernández, uma ilha a 600 quilômetros da costa chilena, onde um povoado foi arrasado por ondas que invadiram até 300 metros de terra firme.

O terremoto com epicentro perto de Maule, 321 quilômetros a sudoeste de Santiago, derrubou ao menos três hospitais na capital e causou pânico no balneário de Viña del Mar, onde milhares de chilenos desfrutavam do último fim de semana das férias de verão.

O presidente norte-americano, Barack Obama, disse que os Estados Unidos estavam prontos para ajudar o Chile. Brasil, Argentina, Bolívia, Peru e Venezuela também ofereceram apoio.

Bachelet declarou zonas de catástrofe as regiões de Maule, Bío-Bío, O'Higgins, Araucanía, Valparaíso e Metropolitana, que concentram 80 por cento da população do país.

O Chile, localizado na intersecção de duas placas geológicas, foi arrasado no passado por outros terremotos. Muitos lembram o tremor de magnitude 9,6 que devastou a cidade de Valdivia em 1960, o maior já registrado.

(Reportagem adicional de Antonio de la Jara, Rodrigo Martínez, Ricardo Figueroa, Alvaro Tapia, Alejandro Lifschitz, Mónica Vargas, Javier Leira, Javier López, Alonso Soto e Simon Gardner em Santiago)

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