Resgate de seqüestrados aumenta esperança de liberdade para outros reféns

Bogotá, 3 jul (EFE).- O resgate militar de 15 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foi um motivo de felicidade aos colombianos e alimentou a esperança do povo de que, em breve, todos os seqüestrados pela guerrilha estejam em liberdade.

EFE |

"Vamos encontrar os mecanismos para que sejam libertados os que permanecem seqüestrados", declarou a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, também de nacionalidade francesa, uma das 15 pessoas em poder das Farc resgatados ontem pelo Exército.

As Farc mantêm retidas 25 pessoas que pretendem trocar por cerca de 500 rebeldes presos, mas o Governo calcula que sejam 700 os seqüestrados.

"Sempre tememos um resgate militar, pelos riscos, mas agora que vivemos esta felicidade, queremos desfrutá-la e vamos continuar lutando pela liberdade dos outros reféns", disse Melanie Delloye, filha de Betancourt, após se encontrar hoje no aeroporto de Bogotá com sua mãe.

Já o chanceler francês, Bernard Kouchner, que chegou com Melanie e seu irmão Lorenzo, comentou que a alegria da libertação da ex-candidata não os impede de "pensar nos que ainda estão seqüestrados" e se mostrou esperançoso em alcançar a liberdade dos demais cativos.

Os observadores expressaram preocupação com destino dos 25 reféns que continuam nas mãos das Farc e que já não têm o valor estratégico de negociação de Betancourt e dos três americanos resgatados com ela.

"Preocupam-nos muitíssimo os que ficaram", disse Marleny Orjuela, diretora da Associação de Familiares dos Soldados e Policiais em Cativeiro (Asfamipaz).

Os 11 militares e policiais libertados também admitiram que sua felicidade não era completa, pois deixaram na selva muitos companheiros em condições sub-humanas.

Entre eles se encontra o cabo Pablo Emilio Moncayo, cujo pai, o professor Gustavo Moncayo, caminhou milhares de quilômetros para chamar a atenção sobre o esquecimento de alguns seqüestrados.

Os militares resgatados foram recebidos hoje como heróis no Ministério da Defesa, onde o titular da pasta, Juan Manuel Santos, deu um ultimato às Farc.

"Seguiremos trabalhando na libertação dos demais seqüestrados.

Fazemos um chamado aos atuais líderes das Farc para que não matem, (mas) libertem os demais seqüestrados e não sacrifiquem seus homens", reiterou.

Santos insistiu que não vão "retroceder um só segundo em tentar libertar o resto dos seqüestrados, seja negociando ou por resgate" e se declarou satisfeito pelos elogios de analistas e especialistas estrangeiros a operação militar de resgate.

As Farc chegaram a ter mais de 60 pessoas que poderiam servir de moeda de troca por 500 rebeldes presos, mas o número diminuiu por causa de libertações, falecimentos, assassinatos e fugas de reféns.

Já a senadora opositora Piedad Córdoba, que intermediava junto com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, as negociações para a libertação dos seqüestrados, declarou-se emocionada e pediu uma saída política ao conflito.

"Isto nos obriga a continuar trabalhando pela liberdade de todos os seqüestrados, pelo retorno são e salvo dos que ainda permanecem nas selvas", afirmou. EFE gta/rb/plc

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