Resgate de reféns fortalece Uribe e sua política linha-dura contra as Farc

A bem-sucedida operação militar que resgatou 15 reféns em poder da guerrilha das Farc representa um enorme êxito para a questionada estratégia do presidente colombiano Alvaro Uribe contra a guerrilha, fortalecendo-o politicamente em um momento crucial para o país, estimaram analistas.

AFP |

"O resgate militar bem-sucedido confere a Uribe reconhecimento nacional e internacional; representa um êxito político e militar para o governo e um golpe militar e político muito duro para as Farc", disse à AFP Alvaro Villarraga, diretor da Fundação Cultura Democrática.

Villarraga, ex-guerrilheiro do Exército Popular de Liberação (EPL) e membro do Conselho Nacional de Paz (que busca uma solução negociada para o conflito), alertou, contudo, que "isso não significa um aval total do país à sua questionada política de segurança democrática", devido às violações dos direitos humanos.

"Ainda assim devemos reconhecer que sim, isso constitui um aval ao governo de Uribe", acrescentou.

O acadêmico Carlos José Herrera, especialista em resolução de conflitos, concordou com Valencia, ressaltando que a operação militar é um "enorme êxito" de Uribe, dentro da série de golpes desfechados nos últimos meses contra as Farc.

Citando as mortes do número dois do grupo guerrilheiro, Raúl Reyes, e de Iván Ríos, outro membro da cúpula das Farc, Herrera afirmou que a operação desta quarta-feira deixa o presidente Uribe "amplamente fortalecido, assim como sua política de segurança".

Os dois analistas destacaram também o caráter "impecável" da operação militar, tal como foi classificada pela própria Ingrid Betancourt, política franco-colombiana libertada junto com os americanos Marc Gonsalves, Thomas Howes e Keith Stansell, além de 11 militares colombianos.

O alto risco corrido por Uribe com essa "operação militar tão perfeita", como disse Ingrid em seu discurso de agradecimento, é também, como afirmaram Villarraga e Herrera, um fator que concede uma garantia maior a Uribe para seguir com sua estratégia militar contra as Farc.

O coronel Gustavo Rosales, diretor do Instituto de Estudos Geostatísticos e Assuntos Políticos da Universidade Nova Granada, é da mesma opinião. Ele disse à AFP que "essa é uma vitória militar que, tomara, se transforme em uma vitória política".

O resgate dos reféns acontece justamente no meio de uma crise política envolvendo Uribe, que enfrenta problemas na Suprema Corte de Justiça - com a oposição em seu encalço tentando tirar o maior proveito possível da situação.

Tanto Herrera como Villarraga lembraram o escândalo da ligação de parlamentares governistas com paramilitares de extrema direita, além das acusações de suborno feitas por uma ex-congressista.

A esse respeito, Herrera não descartou a hipótese de que a oposição dobre seus esforços políticos para tentar impedir um eventual terceiro mandato de Uribe - que pode ver seu já excelente índice de popularidade (80%) subir ainda mais depois da libertação dos reféns.

Conseqüentemente, Herrera considerou que Uribe "deve usar o fortalecimento de sua imagem a serviço de um acordo nacional para pôr fim à crise política".

Villarraga afirma no entanto que "a nova situação do governo com a bem-sucedida operação não acaba com os fatores que originaram a crise política".

pro/ap

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