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Resgate de reféns fortalece Uribe e enfraquece Chávez, diz analista

O resgate de 15 reféns pelo Exército colombiano, entre eles a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, deverá fortalecer o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e marginalizar o presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmam analistas ouvidos pela BBC Brasil. Segundo o vice-presidente do instituto de pequisas Inter American Dialogue e diretor do programa andino do órgão, Michael Shifter, a ação militar da Colômbia certamente irá marginalizar Hugo Chávez, que dizia ser o mais capaz de libertar reféns, por conta de contar com mais legimitidade aos olhos das Farc (o grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que mantinha os reféns em cativeiro).

BBC Brasil |

Chávez passou a atuar como mediador entre o governo colombiano e as Farc em agosto de 2007.

Em novembro do ano passado, Uribe anunciou o fim da mediação do presidente venezuelano, alegando que ele havia desrespeitado um acordo entre os dois, segundo o qual não poderia se comunicar diretamente com o alto comando militar colombiano.

O episódio provocou uma crise diplomática entre a Venezuela e a Colômbia. Em janeiro deste ano, as Farc libertaram a ex-candidata à vice-presidência da Colômbia Clara Rojas e a ex-deputada Consuelo Gonzalez.

A libertação foi obtida após Uribe permitir o retorno de Chávez às negociações.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, também vinha desde sua posse, em maio de 2007, fazendo pressão pela libertação dos reféns, já que Ingrid Betancourt tem cidadania francesa.

''Agora, o governo colombiano obteve esta vitória sem o apoio dos europeus e sem a participação de Chávez. Isso fortalece o papel deles e enfraquece o papel de Chávez como agente de paz'', afirma Shifter.

"Estado precário"
Para Adam Isacson, diretor do Projeto Colômbia do instituto de pesquisas Center for International Policy, o resgate mostra que as Farc estão ''em um estado tão precário que nem conseguem dar conta de seus reféns''.

Na opinião do analista, a ação de resgate reforça o suposto viés militarista adotado por Uribe em detrimento à saída diplomática.

''É uma gigantesca vitória para ele e uma derrota para aqueles que eram contra a opção de pôr fim ao problema à base de tiros'', afirma.

''Uribe mostrou que o lado humanitário, o bem-estar de reféns, também é uma de suas preocupações. Ele já conta com uma popularidade (entre os colombianos) na faixa de 84%, isso deverá ampliá-la ainda mais'', diz Shifter.

Ele acredita que com a perda de seus mais destacados reféns e, por conseguinte, suas principais fichas para possíveis barganhas políticas, as Farc tenderão a se fragmentar.

''Não significa que todas as frentes das Farc irão desaparecer, mas a habilidade deles em atuar como um Exército nacional se perdeu. Eles deverão se dividir em grupos menores e alguns deles deverão inclusive buscar alguma forma de entendimento com o governo.''
Estados Unidos
Apesar de julgar que a vitória política de Uribe deverá aproximar ainda mais a Colômbia dos Estados Unidos, Shifter acredita que o país sul-americano deverá seguir tendo problemas para firmar o acordo de livre comércio que tenta fechar com os americanos, devido a restrições da maioria democrata no Congresso.

''Os democratas deverão reconhecer o feito de Uribe, mas seguirão pressionando para que a Colômbia faça mais em defesa dos direitos humanos no país, o que deixará o acordo ainda longe de ser firmado'', afirma.

O tratado opõe os dois virtuais candidatos à presidência dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama, que é contrário a ele, e o republicano John McCain, que é a favor do acordo.

O fato de o anúncio da libertação dos reféns ter sido feito durante a visita à Colômbia de McCain não deverá servir à campanha do republicano de forma expressiva, na opinião de Shifter.

''O efeito deve ser bem limitado. O apoio dado a Uribe pode até favorecer a imagem de McCain, mas não creio que os ganhos políticos serão tão grandes.''

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