Resgate de reféns coloca em xeque agenda internacional das Farc

A operação Xeque, que resgatou 15 reféns das Farc e matou o comandante Raúl Reyes no Equador, em um ataque do Exército colombiano, representou um duro golpe contra o grupo rebelde, em 2008.

AFP |

O resgate da franco-colombiana Ingrid Betancourt e dos americanos Thomas Howes, Marc Gonsalves e Keith Stansell, além de onze militares e policiais colombianos, fez com que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia saíssem da agenda internacional, apontaram analistas consultados pela AFP.

Os seqüestros de Betancourt, em 2002, e dos americanos, um ano depois, atraíram para as Farc a atenção da França e dos Estados Unidos, que até então não incluíam o conflito colombiano em sua agenda imediata.

Os quatro reféns vinham sendo usados pelo grupo guerrilheiro como arma política, com a qual tentavam se livrar do rótulo de organização terrorista colado pelos EUA e pela União Européia, além de conseguir a libertação de 500 de seus homens atualmente presos.

Mas o exército colombiano, em uma operação cinematográfica precedida por um paciente trabalho de inteligência e infiltração de pelo menos seis meses, conseguiu tirar das Farc sua preciosa moeda de troca.

Dentro das negociações que aconteciam para a libertação dos reféns em troca de prisioneiros, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, entrou em cena como mediador, em uma gestão que no começo foi aceita pelo governante colombiano Alvaro Uribe, mas que depois resultou desastrosamente em uma crise diplomática bilateral.

Com a aprovação de Uribe e sem o conhecimento dos familiares dos reféns, um helicóptero que simulava o transporte de uma missão humanitária pousou em uma clareira na selva colombiana e recuperou os 15 reféns no dia 2 de julho, em uma engenhosa manobra.

A operação contou com o apoio de um avião plataforma dos Estados Unidos.

Com o resgate do grupo e a libertação unilateral realizada no início do ano de outros seis seqüestrados com o objetivo de fortalecer o papel mediador de Chávez, as Farc mantiveram em seu poder apenas dois políticos e 26 militares.

O golpe militar, somado à morte de Reyes, número dois das Farc e prota-voz internacional do grupo - que estava em um acampamento em território colombiano -, no dia 1º de março, levaram o grupo rebelde a uma de suas mais profundas crises em 44 anos de existência.

Após a operação 'Xeque', o tema da troca humanitária de reféns por prisioneiros a nível nacional e internacional perdeu importância - exceto pelos apelos dos ex-reféns pela libertação dos seqüetrados remanescentes, segundo os analistas.

"Arrefeceu o interesse pelos seqüestrados nacional e internacionalmente, porque já não há figuras de peso e reconhecimento como Ingrid e os americanos", estimou León Valencia, diretor da Fundação Novo Arco Íris, que realiza análises sobre o conflito armado do país.

Para o especialista em resolução de conflitos Carlos José Herrera, "a operação 'Xeque' não se repetirá, e por isso não resta outra saída senão a troca", à qual Uribe se opõe sob as condições das Farc.

Os dois analistas concordam que a opração constituiu um grande triunfo da política de combate às Farc do governo Uribe, e o mais duro golpe recebido até hoje pela guerrilha.

"É a derrota mais emblemática militar e política", afirmou Valencia.

Herrera, por sua vez, acredita que "é uma mostra clara da debilidade organizativa e do nível de penetrabilidade das Farc".

pro/cop/ap

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG