Resgate de refém das Farc acontecerá na terça-feira, diz senadora colombiana

BOGOTÁ - A senadora colombiana Piedad Córdoba anunciou que o resgate de Alan Jara, ex-governador do Estado de Meta sequestrado pelas Farc, acontecerá nesta terça-feira. Córdoba vai liderar a missão de resgate, apoiada pelo Brasil e da qual fazem parte delegados da Cruz Vermelha.

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A operação, que aconteceria nesta segunda-feira, foi adiada por desentendimentos ocorridos na libertação de quatro reféns - três policiais e um soldado - no domingo, após acusações de que operações militares atrapalharam o processo.

"Continuamos com essa tarefa de trabalho humanitário amanhã (terça-feira). Sairemos muito cedo com a Cruz Vermelha", disse Córdoba em entrevista coletiva nesta segunda-feira, na cidade de Villavicencio.

A operação para a libertação de mais dois reféns foi reativada nesta segunda, quando o governo colombiano autorizou que Córdoba participasse da missão.

O presidente Álvaro Uribe havia suspendido a participação da senadora no processo para a libertação do ex-governador de Meta e do ex-deputado do departamento do Valle, Sigifredo López.

O mandatário tomou a decisão depois que um integrante da missão  ligou para um canal internacional de televisão e colocou no ar um líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Um ataque supostamente das Farc com um carro-bomba na cidade de Cali piorou a situação.

Reuters
Ex-refém comemora a libertação na Colômbia

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"O presidente da República aceitou a solicitação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha para que a senadora acompanhe essa entidade na libertação dos sequestrados. O governo fez isso em solidariedade às famílias e aos sequestrados", disse um comunicado do governo.

Uribe chamou de "exaltação ao terrorismo" o comportamento de Jorge Enrique Botero, o integrante da missão que fez o telefonema, e advertiu que não permitirá que "o terrorismo faça a festa com a dor dos sequestrados", referindo-se ao ataque de Cali que deixou dois mortos e 33 feridos.

Mas Botero e outros integrantes da missão denunciaram sobrevoos de aviões militares na região onde ocorreu a entrega dos efetivos das Forças Armadas e asseguraram que estiveram a ponto de abortar a libertação.

Os integrantes de um grupo de representantes da sociedade civil ao qual pertence Córdoba e a quem as Farc se comprometeram a entregar os seis reféns celebraram a decisão do governo de Uribe de conceder a autorização a Córdoba. "Isso abre o caminho e a única coisa que fica é que se pode cumprir a missão", disse o diretor do semanário Voz, Carlos Lozano.

Com o adiamento da operação para a libertação de Jara, a entrega de López, prevista para quarta-feira, vai acontecer na quinta, segundo Córdoba.

As libertações ocorrem quase um ano depois de as Farc entregarem seis políticos em duas fases em uma missão humanitária liderada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Com as libertações, as Farc buscam ganhar espaço político e melhorar a imagem internacional após receber golpes do governo Uribe, como a morte de altos comandantes em operações do Exército, o resgate da política Ingrid Betancourt e a deserção de milhares de combatentes, segundo analistas.

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