Resfriamento de usina no Japão avança, mas situação ainda é grave

Operações em Fukushima foram temporariamente paralisadas por fumaça no reator 3; mais tarde também saiu fumaça do reator 2

iG São Paulo |

O trabalho de resfriamento dos reatores nucleares da usina de Fukushima Daiichi evolui, mas, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA), a situação continua grave. "Houve uma evolução positiva nas últimas 24 horas, mas no geral a situação ainda é muito séria", disse Graham Andrew, da AIEA. "Consideramos agora que chegamos a uma situação muito próxima de 'controle da situação'", afirmou o vice-secretário do gabinete japonês, Tetsuro Fukuyama.

Na tarde desta segunda-feira (horário local), as operações de resfriamento na usina foram suspensas temporariamente por causa de uma fumaça cinza que saiu do reator número 3, o mais problemático de todos. O governo japonês assegurou que a radiação em torno do reator 3 não aumentou apesar da fumaça. Os técnicos foram retirados do local. De acordo com um comunicado enviado à imprensa japonesa, nenhum técnico ficou ferido até agora.

Posteriomente, a Agência de Segurança Nuclear do Japão informou que também foi vista fumaça no reator 2 de Fukushima. Segundo o organismo, a fumaça saia da parte posterior do edifício onde se encontra o reator 2, sem que por enquanto se tenha determinado sua origem.

Seriedade

Durante uma coletiva na tarde desta segunda-feira, os técnicos da usina explicaram que a fumaça e o vapor que sobem das ruínas estão menos intensos e o sistema de resfriamento já foi reacionado em três reatores. Entretanto, o grau de seriedade do acidente nuclear continua em 5, em uma escala internacional que vai de 1 a 7.

A crise, que no começo foi considerada local, é tratada como um problema de consequências potencialmente abrangentes. Em Tóquio, o abastecimento de comida, água e combustível começa a voltar ao normal e a população japonesa tenta retomar as atividades cotidianas. Mas a tensão continua por conta da crise nuclear.

Alimentos contaminados

O governo japonês alertou a população que vive nas regiões mais próximas à usina para que não bebam água encanada, depois que foram detectados níveis altos de iodo radioativo no sistema de abastecimento. Também houve contaminação de verduras e de água encanada na região da capital japonesa.

Mas, segundo o governo, não há riscos para a saúde por enquanto. No entanto, o governo ordenou a suspensão das vendas de dois tipos de verduras e de leite em quatro províncias - Fukushima, Ibaraki, Tochigi e Gunma.

O número de vítimas do terremoto e do tsunami de 11 de março continua subindo. Já são mais de 8,6 mil mortos e 13 mil continuam desaparecidos. Dos corpos encontrados até agora, perto de 4 mil foram identificados.

As linhas de ônibus até em algumas cidades bastante afetadas já foram restabelecidas e muitos estão se dirigindo a essas regiões para buscar informações sobre parentes desaparecidos. Outras centenas estão fazendo o trajeto oposto: deixando a região e seguindo para casa de familiares em outras províncias.

*BBC e EFE

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