Republicanos se mobilizam no Arizona para conter avanço de Obama

Em uma movimentada sala de um grande prédio comercial em Phoenix, no Arizona, dezenas de voluntários e funcionários da campanha do candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, John McCain, passam horas fazendo inúmeros telefonemas, apanham material de campanha e se registram para tentar garantir a vitória do representante do Estado no Senado americano. Nos dias finais da campanha, os cinco mil republicanos que trabalham pela eleição de McCain não descansam, ainda mais após ver a vantagem de McCain sobre o candidato democrata, Barack Obama, diminuir, no Estado, para uma média de 4 pontos percentuais nas pesquisas do fim-de-semana passado.

BBC Brasil |

Já a campanha de Obama se animou com os números e resolveu investir no Estado de McCain, veiculando comerciais na televisão - algo que ainda não tinha sido feito - e reforçando o contingente de pessoas para convencer eleitores indecisos e garantir que quem já se decidiu vá votar.

Os esforços dos democratas não surpreendem nem assustam os republicanos, de acordo com o co-diretor da campanha de McCain no Arizona, Wes Gullett.

"Obama gastou US$ 400 milhões em dois meses e não se mexeu nas pesquisas. Provavelmente, ele já chegou a um ponto de saturação de gastos em outros Estados e se virou para o Arizona. Quando ele disse que ia gastar dinheiro aqui, respondemos: 'Seja bem-vindo ao Arizona, obrigado por gastar seu dinheiro aqui'."
Gullett disse que já esperava uma disputa mais acirrada no Arizona, porque o rápido crescimento populacional do Estado está "tornando a região mais equilibrada entre democratas e republicanos".

Californianos
O Arizona é, tradicionalmente, um reduto republicano. Com exceção da eleição de Bill Clinton, o Estado votou em candidatos republicanos para a Presidência desde 1952.

"Na medida em que os Estados crescem, eles se tornam mais maduros e tendem a ficar como o resto da América, mais igualmente dividida entre os dois partidos", diz Gullett. Ele atribui o fortalecimento dos democratas no Arizona a um milhão de californianos que se mudaram para o Estado no último ano, trazendo com eles "sua política maluca".

"Na Califórnia, basta você mostrar ao governo que você existe que ele toma conta de você. Mas se você é um empresário no Estado, tem que pagar por isso."
Já os partidários de Obama no Arizona atribuem o avanço do democrata no Estado ao fracasso político de McCain como senador.

"A população do Arizona é a que melhor conhece John McCain e percebeu que as políticas dos últimos 26 anos do senador fracassaram. O Estado é hoje um dos mais afetados pela crise econômica, com um alto número de hipotecas, e a população está cansada desta situação", afirmou o diretor de comunicação da campanha de Obama no Arizona, Dave Cieslak.

Em uma região humilde em Phoenix, dezenas de voluntários e funcionários da campanha democrata ocupam uma casa ou se espalham pelo gramado do jardim e pelo quintal munidos de seus telefones celulares pessoais para convencer amigos, parentes e vizinhos a votar em Obama.

Os esforços mostram que os democratas têm esperança de tornar o Arizona azul, a cor do Partido Democrata, e conquistar os dez votos do colégio eleitoral do Estado no dia 4 de novembro.

Porém, muitos analistas acreditam que não haverá surpresas no Arizona e alguns, inclusive, dizem que os investimentos de Obama no Estado na reta final têm o objetivo apenas de chamar a atenção da mídia.

Questões polêmicas
Longe dos comitês de campanha, é raro ver placas de apoio a um dos dois candidatos à Presidência em Phoenix.

O mesmo ocorre na cidade vizinha de Scottsdale, com exceção de uma grande placa na vitrine de uma galeria de arte que diz: "Obama não é o 'ser especial'. Vote em McCain".

A responsável pelo cartaz é uma jovem de 26 anos, Courtney Hood, vice-presidente de desenvolvimento da galeria de arte, que diz já ter irritado alguns democratas, que entraram na galeria para discutir com ela.

"Com este cartaz, eu quero mostrar que Obama não é a pessoa mágica que vai salvar os americanos de todos seus problemas. Acho que a mídia favorece muito Obama, e todas as questões polêmicas sobre ele são varridas para baixo do tapete."
Hood diz ser contrária a várias posições de Obama, como a que ela classificou de "infanticida", em referência à oposição do senador de Illinois ao projeto de lei que garantia ajuda a fetos que sobrevivessem após um aborto.

A republicana também afirmou se opor às opiniões de Obama sobre guerra e imigração e não acredita "que ele vá trazer de volta os bons valores dos Estados Unidos, que devem deteriorar ainda mais com ele na Presidência".

O empreiteiro independente Josh Punko, de 32 anos, disse não gostar de nenhum dos dois candidatos, mas que "definitivamente não quero Obama na Presidência".

Segundo ele, Obama é contra os pequenos empresários, "já que vai aumentar os impostos deles", além de ser contra armas.

"É meu direito no Arizona sair por aí com uma arma na cintura. Isso daqui é o velho Oeste, todo mundo anda armado e é muito sério querer tirar este direito das pessoas", afirma Punko.

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