Republicanos se beneficiam de longa batalha democrata

CINCINNATI, EUA - Enquanto a disputa pela vaga do Partido Democrata nas eleições presidenciais dos Estados Unidos se arrasta, o republicano Jack Schmidt faz um raciocínio semelhante ao de muitos conservadores -- isso é algo vantajoso para os republicanos.

Reuters |

'Eles estão se batendo, e isso beneficia McCain', disse Schmidt, de 79 anos, um corretor de ações aposentado, referindo-se ao candidato do Partido Republicano no pleito nacional, senador John McCain.

'Ele tem alguns problemas também, mas ninguém está prestando atenção nisso', acrescentou.

Apesar de McCain não estar recebendo a mesma atenção da mídia de que desfrutam os democratas Barack Obama e Hillary Clinton, que lutam internamente pela chance de concorrer à Casa Branca, os simpatizantes do republicano festejam o embate muitas vezes duro travado pelos adversários.

'Quanto mais isso demorar, melhor para o nosso candidato.

Quanto mais os dois se baterem, menos vão bater no nosso candidato. Isso só nos beneficia e é o máximo', disse Chelsea Chapman, contadora e presidente da juventude republicana de Houston.

A disputa entre Obama, o senador por Illinois que pode se tornar o primeiro presidente negro dos EUA, e Hillary, a senadora por Nova York que pode ser a primeira mulher a dirigir o país, recebeu grande destaque dos meios de comunicação. Os dois pré-candidatos participam agora das últimas prévias estaduais do partido.

Para McCain, que venceu seus principais adversários de legenda semanas atrás, as últimas prévias transformaram-se em uma formalidade geralmente desprezada pelos eleitores, enquanto o senador aguarda para ser nomeado candidato oficialmente, em setembro.

Mudanças dos ventos

O embate dramático entre Hillary e Obama mostrou-se inicialmente benéfico para os democratas e prejudicial para os republicanos, afirmou Andrew Taylor, professor de ciências políticas na Universidade Estadual da Carolina do Norte.

Os dois democratas arrecadaram muito mais fundos de campanha do que os pré-candidatos republicanos, todos homens e brancos. O número de eleitores registrados para as prévias democratas e o comparecimento às urnas excederam em muito as cifras alcançadas pelos republicanos -- isso também devido à empolgação envolvendo a escolha de um candidato democrata de perfil inédito.

Segundo Taylor, no entanto, quando McCain venceu as prévias republicanas, o benefício gerado por uma batalha acirrada começou a reverter-se.

O fato de McCain ter ficado relativamente afastado da mídia deu aos republicanos tempo para reunificarem-se após sua breve, porém intensa, batalha pelas prévias.

'McCain tentava construir pontes dentro do partido, arrecadar dinheiro, colocar a organização em andamento', afirmou o professor. Enquanto isso, os democratas arremetiam um contra o outro.

Porém, mesmo esse cenário não significa apenas vantagens para os republicanos.

'Depois de um tempo, é preciso começar a chamar a atenção.

Ele (McCain) vem percorrendo o país a fim de apresentar-se aos eleitores e não tem conseguido o tipo de atenção que desejaria', disse Taylor.

Os republicanos preparam-se ainda para enfrentar uma onda de apoio a Obama, de 46 anos, se, conforme o previsto, o senador tornar-se de fato o candidato democrata. Já McCain, de 71, tentará esforçar-se para dar mostras de carisma.

De toda forma, o republicano parece ansioso para que comece logo a batalha pela Casa Branca.

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