Republicanos ressuscitam campanha do medo nos EUA

Paco G. Paz.

EFE |

Washington, 30 dez (EFE).- Os republicanos aproveitaram o atentado fracassado contra o voo da Northwest Airlines no último dia 25 para ressuscitar a mensagem que usaram na campanha eleitoral de 2008: o presidente americano, Barack Obama, e seu Governo não são capazes de garantir a segurança dos Estados Unidos.

A oposição americana viu renascer nos últimos dias uma oportunidade para readquirir forças e votos rumo às eleições legislativas de novembro de 2010.

Desde o atentado frustrado no dia de Natal, quando o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab tentou explodir o voo 253 da Northwest entre Amsterdã e Detroit, os EUA vivem em um novo clima de tensão.

Hoje, a Polícia de Nova York desocupou a região de Times Square por causa de uma van suspeita. A área foi reaberta ao trânsito pouco depois, quando se constatou que o veículo continha apenas roupas.

Em entrevistas na televisão, na imprensa escrita e inclusive nas cartas enviadas pelos legisladores para obter fundos, os republicanos insistem em apontar o que consideram como fraquezas da atual política de segurança nacional.

Um dos que atacou o Governo democrata foi o vice-presidente durante a Presidência de George W. Bush, Dick Cheney, segundo o qual Obama quer negar a ameaça do terrorismo.

"Estamos em guerra com o terrorismo, e quando o presidente Obama finge que não estamos, nos faz estar menos seguros. Por que não admite que estamos em guerra?", disse Cheney hoje nas páginas da revista "Politico".

"É uma esquizofrenia política", afirmou, por sua vez, o republicano de mais alta categoria no Comitê de Segurança Nacional da Câmara dos Representantes, Peter T. King, ao jornal "The Washington Post".

Obama "parece quase envergonhado quando fala de terrorismo", disse King.

Em sua nova campanha de ataque, os republicanos começaram a relacionar a tentativa de atentado do dia 25 com outros incidentes ocorridos recentemente, como o massacre na base militar de Fort Hood, a retirada de tropas no Iraque e a decisão de transferir os presos da base de Guantánamo, em Cuba, para prisões americanas.

"Não sabem o que fazem", afirmou o congressista republicano Peter Hoekstra, membro do Comitê de Inteligência da Câmara de Representantes, em carta enviada esta semana aos financiadores de sua campanha.

"São os mesmos covardes que querem trazer os terroristas de Guantánamo aqui para Michigan", disse o congressista, que almeja uma nomeação para apresentar-se à reeleição.

A frente de ataques republicanos foi aberta depois do discurso feito por Obama no Havaí, onde reconheceu que uma combinação de erros "inaceitáveis" humanos e do sistema permitiram que um terrorista suicida com explosivos embarcasse em um avião.

Pouco depois, a rede de televisão "CNN" confirmou que o pai do suposto terrorista informou à CIA (agência de inteligência americana) sobre as ideias extremistas de seu filho semanas antes do atentado.

O pai de Abdulmutallab, um banqueiro nigeriano, expressou sua preocupação à CIA durante pelo menos uma reunião e em várias ligações telefônicas à embaixada dos EUA em Lagos (Nigéria).

O congressista republicano Dan Burton afirmou ontem à noite publicamente na televisão que a informação que a CIA tinha não seguiu o caminho regulamentar e pediu abertamente a saída da Secretária de Segurança Nacional, Janet Napolitano.

"A cadeia de informação não funcionou. A informação que a CIA tinha não chegou às instâncias correspondentes. E ela (Napolitano) é a responsável", disse.

A oposição também se queixou da demora de Obama em reagir. O presidente está de férias com sua família no Havaí e demorou três dias para falar publicamente sobre o incidente.

Alguns veículos de imprensa lembraram, no entanto, que em dezembro de 2001, quando Richard Reid tentou explodir o avião do voo em que estava com uma bomba escondida em seu sapato, George W. Bush demorou seis dias para falar sobre o assunto. EFE pgp/bba

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG