Republicanos prometem manter resistência à reforma da saúde

Membros da oposição republicana dos Estados Unidos afirmaram, nesta segunda-feira, que continuarão resistindo à reforma no sistema de saúde, aprovada pela Câmara dos Representantes na noite anterior. Segundo o secretário de Justiça da Flórida, o republicano Bill McCollum, dez Estados americanos pretendem questionar a legalidade da nova lei, assim que for ratificada pelo presidente Barack Obama.

BBC Brasil |

De acordo com ele, a medida para provar a suposta inconstitucionalidade da nova legislação tem o apoio da Carolina do Sul, Nebraska, Texas, Utah, Pensilvânia, Washington, Dakota do Norte, Dakota do Sul e Alabama.

Mais de 30 Estados republicanos estão se preparando para aprovar medidas que dificultariam a viabilidade a lei.

Os republicanos disseram ainda que, se retomarem o controle do Congresso nas eleições de novembro, tentarão mudar a legislação.

Elogios
Obama conseguiu a aprovação da lei por apenas sete votos de diferença após um ano de campanha para tentar convencer parlamentares a aprovarem a reforma que deve proporcionar cobertura de saúde a mais de 30 milhões de americanos.

A presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, disse que a reforma era um feito comparável à criação no país da previdência social nos anos 30 e, nos anos 60, do Medicare, programa que garantiu atendimento médico a pessoas com mais de 65 anos.

A deputada democrata Marcy Kaptur, de Ohio, declarou que o projeto anunciava "um novo dia na América". Sua colega Doris Matsui, da Califórnia, defendeu que a reforma "vai melhorar a qualidade de vida para milhões de famílias americanas".

A reforma de Obama deverá custar aos cofres públicos US$ 940 bilhões (cerca de R$ 1,69 trilhão) em dez anos, mas também reduzirá o déficit do país em US$ 138 bilhões (cerca de R$ 247 bilhões) no período.

O projeto foi aprovado por uma margem apertada de 219 votos a favor e 212 contra, ou seja, apenas três votos favoráveis a mais do que o mínimo necessário.

A lei passa agora para a ratificação presidencial, que deve ocorrer na terça-feira.

Como sofreu algumas alteração na Câmara, um acordo estabeleceu que um miniprojeto contendo apenas as mudanças na reforma será votado no Senado, que já havia aprovado a reforma original em dezembro do ano passado. Lá, os democratas esperam conseguir a aprovação das mudanças por maioria simples.

Oposição democrata
A reforma do sistema de saúde não sofreu apenas com a oposição maciça dos republicanos, o partido de oposição, mas também de dezenas de democratas mais conservadores.

Em um ano de eleições legislativas, em que parte do Congresso será renovada, muitos não queriam aprovar um projeto polêmico que, entre outras medidas, inclui a criação de impostos.

No final das contas, apenas 34 democratas rejeitaram a reforma, o que permitiu essa vitória pela margem reduzida de três votos.

A aprovação só foi assegurada horas antes da votação, quando o presidente concordou em emitir uma ordem executiva garantindo que verbas federais não poderão ser usadas para abortos.

Esse acordo garantiu o apoio dos democratas mais conservadores que se opunham ao projeto por receio de que o novo sistema de saúde financiasse abortos no país.

No momento da votação, quando o placar chegou aos 216 votos a favor, os democratas se abraçaram aos gritos de "Sim, nós podemos" - o slogan da campanha presidencial de Obama.

'Governo do povo'
Depois da votação, o presidente afirmou que a aprovação do projeto que garante aos americanos assistência médica universal ocorre depois de "quase cem anos de debates e frustração".

"Nós provamos que este governo, um governo do povo e para o povo, ainda é capaz de trabalhar pelo povo", disse Obama em um pronunciamento.

"Essa legislação não vai corrigir tudo o que aflige o nosso sistema de saúde, mas nos leva decisivamente na direção certa", acrescentou.

A nova lei vai tornar a cobertura do sistema público de saúde praticamente universal. Para cobrir esse custo, novos impostos sobre os mais ricos serão criados. Além disso, os planos privados de saúde serão proibidos de recusar pacientes com problemas de saúde pré-existentes.

Oposição republicana
O senador John McCain, derrotado por Obama nas últimas eleições presidenciais, disse que, fora de Washington, "o povo americano estava muito bravo".

"Eles não gostam dela (da reforma), e nós vamos revogá-la", disse à rede de TV americana ABC News.

O líder do Partido Republicano na Câmara, John Boehner, declarou que os legisladores haviam desafiado os desejos da população.

"Nós falhamos em ouvir a América", disse. "Esse órgão se move contra a vontade deles. Isso é uma vergonha", completou o parlamentar.

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