Republicanos pressionam por mudança em pacote de resgate dos EUA

Por Paul Eckert WASHINGTON (Reuters) - Importantes senadores republicanos alertaram, no domingo, que o partido não deve dar apoio ao pacote de estímulo econômico do presidente Barack Obama sem que sejam feitas mudanças para cortar desperdícios e assegurar que os quase 900 bilhões de dólares impulsionem devidamente a debilitada economia norte-americana.

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O líder da minoria no Senado, Mitch McConnel, disse duvidar que o pacote de estímulo econômico seja aprovado no Senado no seu formato atual. Ele acrescentou que o projeto precisa "colocar uma tampa na meta imediatamente", com um foco específico no setor imobiliário e no alívio fiscal.

"Se nós vamos gastar um valor próximo disso... é necessário que seja em tempo, temporário e objetivado", disse ele ao programa "Face the Nation", da CBS.

"Vamos arrumar o setor imobiliário antes. Foi ele que causou tudo isso", disse o senador de Kentucky sobre a recessão ocasionada pelo derretimento do setor imobiliário dos Estados Unidos que espalhou um pessimismo econômico por todo o mundo e custou o emprego de milhares de norte-americanos.

O Senado deve avaliar o plano de estímulo econômico dos democratas esta semana, após a Câmara dos Deputados ter aprovado um projeto de menor porte, no valor de 825 bilhões de dólares, na última semana, sem o apoio de um único republicano.

Alguns dos projetos controversos no enorme pacote são vistos como valiosos instrumentos de barganha para ganhar o apoio de republicanos céticos.

O senador Jon Kyl, segundo nome mais importante dos republicanos no Senado, alertou que o apoio do partido ao pacote de estímulo está desgastando-se. Para ele, "grandes mudanças estruturais" são necessárias para ganhar o apoio republicano.

"Você precisa começar do zero e reconstruí-lo", disse o senador Kyl, do Arizona, ao programa de TV "Fox News Sunday". O senador afirmou que o projeto proposto "desperdiça uma tonelada de dinheiro".

Kyl levantou questões quanto a itens do pacote, incluindo um desconto fiscal de 500 dólares, a criação de dezenas de novos programas governamentais e a transferência de dinheiro aos Estados.

"Há grandes mudanças estruturais que deveriam acontecer", disse ele.

Os republicanos pretendiam não atrasar o projeto, mas querem "grandes emendas que irão redirecioná-lo" para tratar do colapso do setor imobiliário e propiciar medidas de alívio fiscal, disse Kyl.

DEMOCRATAS ABERTOS

O senador Richard Durbin, de Illinois, o segundo nome mais importante do Partido Democrata no Senado, disse ao mesmo programa de TV que os democratas estão "muito abertos" às idéias republicanas e a emendas ao projeto, incluindo a uma supervisão para evitar erros na implementação do programa de resgate econômico.

O senador de Nova York Charles Schumer disse que ele e seus colegas democratas têm ouvido às críticas dos republicanos -- e retiraram do pacote, por exemplo, um gasto de 200 milhões de dólares para recuperar o parque aberto National Mall, em Washington, e outros milhões de dólares que iriam para o planejamento familiar -- segundo os republicanos, o dinheiro seria para financiar contraceptivos.

"Este projeto será aprovado com os votos dos republicanos, porque é um bom pacote, e porque vamos fazer algumas alterações", disse ele ao programa da CBS.

Democratas concordaram com republicanos que o pacote de estímulo na sua forma atual não inclui gastos o suficiente com infra-estrutura, incluindo transportes, disse ele.

O projeto aprovado na Câmara é estimado em 825 bilhões de dólares, mas pode estar próximo a 819 bilhões de dólares se considerado o impacto futuro no déficit. O projeto do Senado, com diferentes componentes fiscais, chegará próximo ao valor de 900 bilhões de dólares.

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