Republicanos pressionam Obama a não ceder em acordo climático

Por Richard Cowan e Michael Szabo COPENHAGUE (Reuters) - Enquanto o presidente Barack Obama negocia a portas fechadas um novo acordo climático global, parlamentares republicanos dos EUA pressionavam-no a não fazer mais concessões sobre as metas para a redução de gases-estufa.

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"Não vamos permitir que empregos sejam destruídos (nos Estados Unidos) da América para algum benefício ambiental exotérico daqui a cem anos", disse o deputado Joe Barton à Reuters durante a conferência climática de Copenhague.

Esse conservador texano, que deve assumir a presidência de uma poderosa comissão ambiental da Câmara caso os republicanos retomem a maioria na Casa, disse não acreditar que as emissões industriais de dióxido de carbono contribuam para o aquecimento global, e teme que a imposição de limites tolha o crescimento econômico.

"Se eu for presidente daqui a dois anos, vou rejeitar", disse ele, referindo-se a medidas como a liberação de verbas para ajudar os países em desenvolvimento a se adaptarem à mudança climática, defendidas na quinta-feira pela secretária de Estado Hillary Clinton.

Em discurso na quarta-feira em Copenhague, o senador democrata John Kerry, grande defensor da legislação climática, qualificou os adversários de "niilistas e adeptos do não".

Muitos republicanos defendem que, em vez de impor novos controles à poluição, o governo adote uma política energética e ambiental que amplie o uso da energia nuclear e a produção doméstica de petróleo, além de pesquisas sobre usos menos poluentes do carvão.

Barton e cinco outros deputados foram a Copenhague promover sua crença de que a poluição pelo carbono não deve ser considerada responsável pelo degelo das calotas polares, o aumento do nível dos mares e a maior probabilidade de inundações e secas, entre outros efeitos da mudança climática. "Não temos uma calota polar no Texas", gracejou Barton aos jornalistas.

A mensagem dos republicanos lembra a Obama e seus negociadores que qualquer coisa decidida em Copenhague terá de passar pelo Congresso, e que a atual maioria democrata na Câmara e no Senado não garante vitória ao governo.

Políticos norte-americanos de várias linhagens se mostram nervosos em debater, num momento de desemprego elevado, uma lei climática que possa provocar um aumento do preço da energia, ainda que pequeno.

Parlamentares republicanos lançaram durante a conferência de Copenhague uma nova ofensiva para impedir que a Agência de Proteção Ambiental do governo Obama regulamente as emissões de carbono caso o projeto climático não seja aprovado.

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