Republicanos não tentarão bloquear votação de Sonia Sotomayor para o Supremo

Washington, 12 jul (EFE).- Senadores republicanos dos Estados Unidos disseram hoje que não tentarão bloquear a votação sobre a entrada de Sonia Sotomayor na Suprema Corte americana, mas a questionarão sobre comentários que, segundo eles, colocam sua neutralidade em dúvida.

EFE |

Sonia, de 55 anos, comparecerá na segunda-feira, pela primeira vez, diante do Comitê Judicial do Senado para responder às perguntas dos legisladores, com os quais teve reuniões particulares.

Alguns republicanos criticaram duramente a juíza, nascida em Nova York e filha de pais porto-riquenhos, mas a atual composição do Senado não bloqueará sua nomeação.

Os democratas controlam 60 das 100 cadeiras no Senado, por isso, sua ocupação do cargo só não seria confirmada se os republicanos ganhassem votos contra ela de algum membro do partido no poder.

O senador republicano John Cornyn disse hoje à "Fox News" que não usarão táticas para adiar a decisão indefinidamente, mas permitirão uma votação sobre a candidatura, na qual Sonia seria eleita com uma maioria simples.

O senador Jeff Sessions, republicano de maior categoria no Comitê Judicial, disse à cadeia "CBS" que Sonia "criticou a ideia de que um homem e uma mulher determinem uma mesma sentença em um julgamento".

"Ela acredita que chegam a resultados diferentes. Para mim, isso é filosoficamente incompatível com o sistema americano de justiça", afirmou.

Sessions fez referência a um discurso feito por Sonia, em 2001, no qual disse que uma juíza latina "sábia" poderia chegar a uma conclusão melhor em sua sentença, pela riqueza de sua experiência, que um homem branco que carece dela.

Cornyn, que também é membro do Comitê Judicial, disse que pedirá explicações a Sonia sobre o assunto durante a audiência, pois "a atenção à etnia, à raça e ao sexo da pessoa são a antítese" da objetividade judicial, em sua opinião.

No entanto, os republicanos terão que questioná-la com cuidado, para que não pareça que estão a atacando por ser latina, segundo os analistas.

"Um terço do meu estado é hispânico e o que eles querem e o que merece todo candidato ao Supremo é que eles sejam tratados com respeito e faremos isso", disse Cornyn.

O jornal "The Washington Times", conservador, qualificou Sonia hoje como "a candidata ao Tribunal Supremo mais radical que pode se lembrar", em um editorial no qual se opôs a sua confirmação no cargo, porque ela não acredita na "neutralidade" dos magistrados.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ligou para Sonia hoje por para desejar sorte e disse ter confiança de que servirá como magistrada no Supremo "por muitos anos", segundo informou Robert Gibbs, o porta-voz da Casa Branca.

A audiência da segunda-feira será presidida pelo senador democrata Patrick Leahy. EFE cma/pd

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