Washington, 29 set (EFE) - A campanha republicana mudou sua estratégia para preparar, a partir de hoje, a candidata do partido à Vice-Presidência, Sarah Palin, para o debate com seu adversário democrata, Joe Biden, em meio a uma crescente preocupação devido a suas últimas declarações públicas.

Palin, que hoje participou de um comício em Ohio junto ao cabeça de chapa, John McCain, pretendia preparar o debate em Saint Louis (Missouri), onde, nesta quinta-feira, ocorrerá seu único encontro com Biden.

No entanto, e por sugestão do próprio candidato presidencial, ela irá ao rancho de McCain em Sedona (Arizona), onde preparará o debate com alguns dos principais pesos pesados da campanha republicana, como o próprio diretor, Rick Davis, e o principal estrategista, Steven Schmidt.

A idéia é permitir que Palin relaxe e possa tentar ser "ela mesma", segundo indicaram funcionários da campanha, já preocupados com a vantagem aberta pelos democratas nos últimos dez dias nas pesquisas.

A mudança ocorreu devido à preocupação, expressada, em alguns casos, publicamente, de diversos representantes da ala conservadora republicana com a preparação da candidata.

Desde o anúncio de sua candidatura, há um mês, a governadora do Alasca se manteve muito afastada da imprensa, não fez praticamente declarações e só concedeu três entrevistas.

A última delas, à apresentadora Katie Couric e exibida na cadeia de televisão "CBS" na semana passada, foi considerada de modo quase unânime como um desastre.

Nela, Palin se perdeu em várias ocasiões e, em outras, deu respostas incoerentes, como se tivesse juntado frases soltas de alguns dos lemas de sua campanha.

Essa má imagem passada na ocasião foi atribuída a que, na semana passada, um terço dos eleitores afirmaram em uma pesquisa que não se sentem "em absoluto" confortáveis com a idéia de que Palin chegue à Casa Branca, um crescimento de 5% em relação ao começo de setembro.

O mais chocante é que algumas das críticas mais duras vêm da ala conservadora republicana, que acolheu a governadora do Alasca de braços abertos na convenção do partido, no começo do mês, em St Paul (Minnesota).

A colunista conservadora Kathleen Parker, que tinha declarado seu apoio à aspirante republicana, pediu a Palin que utilize a desculpa de que sua família precisa dela - a candidata à vice tem um bebê de cinco meses com síndrome de Down - e apresente sua renúncia.

Outra colunista, Kathryn Jean López, da revista conservadora "National Review", diz que essa sugestão "não é descabelada" e que "alguma coisa tem que mudar".

O próprio McCain foi obrigado a defender sua escolha no último fim de semana em entrevista ao programa "This Week", da "ABC", onde afirmou que Palin "forneceu nova energia à campanha".

O ex-rival de McCain nas primárias republicanas Mitt Romney admitiu hoje que as expectativas para Palin no debate com Biden "são baixas".

Isso, no entanto, não é ruim: Se as expectativas são baixas, mas a candidata não se sai mal, as críticas afirmarão que superou o que se esperava dela.

Romney, no entanto, criticou a atitude da campanha republicana para com a governadora, já que considera que foi superprotetora e pode ter diminuído a confiança em si própria.

"É uma pessoa com muita confiança, que fala bem, é considerada e acho que se sairá muito bem", afirmou Romney. EFE mv/db

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