Republicanos ironizam futuro gabinete de Obama e guinada pró-Clinton

O esboço da equipe de governo de Barack Obama, nos Estados Unidos, tem sido recebido com sarcasmo por muitos republicanos, diante da perspectiva de um retorno à era Bill Clinton, com alguns nomes de políticos veteranos que levantam dúvidas sobre a tão prometida mudança feita pelo presidente recém-eleito aos americanos.

AFP |

Após passar meses enfrentando Hillary Clinton nas primárias democratas, Obama se dispõe, agora, a oferecer à ex-primeira-dama dos EUA o posto-chave de secretária de Estado, segundo fontes da equipe de transição.

Prevê ainda que o ex-senador Tom Daschle, veterano nas disputas entre democratas e republicanos no Congresso, com as quais Obama prometeu acabar, passe a ocupar o posto de secretário da Saúde, e Rahm Emanuel, que ganhou fama de durão no governo Clinton e na Câmara de Representantes, seja o chefe de Gabinete da Casa Branca.

As pastas de Justiça e Comércio devem ficar nas mãos de Eric Holder e Bill Richardson, respectivamente, ambos provenientes do gabinete de Bill Clinton.

"Ao que parece, os novos rostos não têm qualquer chance de integrar o gabinete de Obama", atacou o porta-voz do Comitê Nacional do Partido Republicano, Alex Conant, acrescentando, cheio de ironia, que "o gabinete de Barack Obama começa a se parecer com um encontro de 'clintonianos'".

Em editorial, o jornal conservador "The New York Post" também é sarcástico: "Felicitações a Hillary (e Bill) Clinton, que parecem ter ganhado as eleições presidenciais, apesar dos resultados oficiais de 4 de novembro".

Segundo analistas, porém, o presidente eleito dispõe apenas de um restrito painel de personalidades com experiência para liderar os principais departamentos.

Após dois anos de campanha, Obama encarna por si mesmo a mudança, com a tarefa dantesca de levar à frente duas guerras e pôr fim a uma crise financeira e econômica. Diante desse quadro, afirmam os analistas, é imprescindível contar com uma equipe experiente, desde o primeiro dia.

"Com uma economia nesse estado, não escolher pessoas com experiência seria uma loucura", diz Martha Kumar, especialista em Estudos Políticos na Universidade Towson.

Para David Rothkopf, autor de um livro sobre o Conselho de Segurança Nacional, "nos EUA, é o presidente que está, em primeira instância, na origem da mudança".

"Barack Obama encarna a mudança", defende o autor, destacando que Obama é "quem, em última instância, decide sobre os poderes de cada um".

Barack Obama não recorreu apenas a políticos com conhecida trajetória. Ele também quer estar acompanhado de pessoas próximas e de confiança, como David Axelrod, que contribuiu para o sucesso de sua campanha, ou Valerie Jarrett, amiga de longa data.

Os analistas destacam ainda que, pelo menos por enquanto, os compromissos tomados desde sua vitória nas urnas marcam uma ruptura clara com o governo de George W. Bush. Afinal, entre outros pontos, Obama prometeu lutar contra o aquecimento global e fechar o centro de detenção de Guantánamo.

col/tt

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