Republicanos focam estados indefinidos a um mês das eleições

Teresa Bouza. Washington, 3 out (EFE).- A longa corrida pela Casa Branca entra hoje em seu último mês com a disputa entre os candidatos cada vez mais reduzida a um pequeno número de estados, com grandes dificuldades para os republicanos.

EFE |

Ontem mesmo, John McCain anunciou que jogaria a toalha em Michigan, estado em que os republicanos haviam depositado esperanças, mas onde, segundo as últimas pesquisas, a vitória deve ser mesmo do democrata Barack Obama.

Com Michigan fora dos planos, os estados mais indefinidos agora são Flórida, New Hampshire, Pensilvânia e Virgínia Ocidental.

Também não é possível ainda apontar um favorito claro em Minnesota, Wisconsin, Ohio e Missouri, na região central, e em Novo México, Nevada e Colorado, no oeste.

As pesquisas mostram que grande parte dos Estados Unidos já parece ter se definido por um dos candidatos em 4 de novembro.

Os republicanos agora dedicarão mais tempo e recursos à campanha em Pensilvânia e Wisconsin, além do Maine. Segundo os assessores de McCain, vitórias nestes estados poderiam pavimentar o caminho dele rumo à Casa Branca.

Caminho que, de qualquer forma, não será fácil, como mostram as pesquisas.

A crise financeira agravada há duas semanas e que está causando os piores estragos no país em quase 80 anos reduziu a popularidade do senador, que reconheceu durante a campanha não ser um grande entendedor de economia.

Além disso, McCain enfrenta o fato de que, historicamente, as crises econômicas prejudicam o candidato da situação, por mais que ele se esforce em passar uma imagem de independência em relação à impopular administração de George W. Bush.

Faltando um mês para as eleições, Obama aparece em vantagem na maioria de pesquisas, tanto em nível nacional quanto nos estados que devem ser mais decisivos.

Hoje, o Real Clear Politics - site que elabora uma média das diferentes pesquisas -, aponta que Obama ganharia por uma vantagem de 5,6% em âmbito nacional.

Entre os 11 estados mais disputados, sete estariam tecnicamente empatados e, nos outros quatro - Minnesota, Pensilvânia, Novo México e Wisconsin -, Obama aparece liderando as intenções de voto.

Greg Strimple, assessor de alto escalão de McCain, assegurou na quinta-feira que seu candidato pode conseguir os 270 votos do Colégio Eleitoral necessários para ganhar a Casa Branca, ao brigar pela vitória em Colorado, Nevada, Novo México, Minnesota e Pensilvânia e manter os tradicionais redutos republicanos.

O peculiar sistema eleitoral americano delega uma série de votos a cada estado em função de seu tamanho e população. Estes fatores definem sua representação no Colégio Eleitoral, órgão que finalmente elege o presidente americano.

Com raras exceções (Nebraska e Maine), o candidato que vence em um estado leva todos os votos da região.

Por isso, para chegar à Presidência são necessários pelo menos 270 votos - a maioria simples dos 538 do Colégio Eleitoral.

Outro grave problema enfrentado por McCain este ano é de que estados tradicionalmente republicanos hoje estão em dúvida, especialmente a Virgínia - que há quatro décadas não escolhe um candidato democrata à Presidência - e a Flórida.

Mike DuHaime, diretor político da campanha de McCain, reconheceu esta semana que a situação não está fácil. "O ambiente geral que enfrentamos é um dos piores para qualquer republicano provavelmente em 35 anos", frisou.

Menos mal para eles que sua candidata a vice-presidente, Sarah Palin, não sofreu o massacre que temiam no debate da noite de ontem, na Universidade George Washington, em Saint Louis, no Missouri.

As expectativas para Palin, em seu único debate contra o candidato a vice dos democratas, Joseph Biden, eram as piores possíveis, depois de ela ter se saído muito mal nas entrevistas que concedera a redes de TV.

Entretanto, a governadora do Alasca aguentou bem o desafio e embora não tenha vencido o debate, segundo a maioria dos analistas, se saiu melhor do que o esperado.

Os comentaristas políticos americanos são unânimes, porém, em afirmar que a relativamente boa performance de Palin não deverá alterar a dinâmica da corrida presidencial neste último mês. EFE tb/jp/rr

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