Republicanos fazem autocrítica e buscam renovação após derrota eleitoral

Governadores republicanos dos Estados Unidos iniciam nesta quinta-feira sua autocrítica em um debate interno realizado pelo partido conservador em Miami, pouco mais de uma semana após a ampla derrota nas urnas que coroou o democrata Barack Obama como 44º presidente do país.

AFP |

O encontro anual, que em 2008 reúne 23 líderes republicanos, acontece até sexta-feira, e marcará a reaparição pública da governadora do Alasca, Sarah Palin, ex-candidata à vice-presidência na chapa de John McCain, considerada figura fundamental para o projeto de renovação partidária para as eleições de 2012.

Palin falou a seus pares nesta quinta-feira, exortando-os a deixar a derrota de 2008 para trás e se concentrar na busca por novas oportunidades.

"Este é o momento de buscar nosso próprio caminho, nem tristes nem vencidos, mas sim confiantes por saber que haverá outro dia e que estaremos unidos com forças renovadas para lutar de novo", disse Palin.

"Somos agora o partido minoritário, mas não deixaremos que isso nos transforme em um partido negativo (...). Perder uma eleição não significa perder o rumo", acrescentou.

A governadora do Alasca não fez referências a seu futuro político, embora tenha indicado na quarta-feira que pretende esperar para ver quais oportunidades se apresentarão, indagada sobre uma possível candidatura presidencial em 2012.

"Não quero fechar nenhuma porta", disse Palin em uma entrevista à rede de televisão CNN.

O Partido Republicano, que assistiu impotente ao atropelamento de sua chapa McCain-Palin nas eleições do dia 4 de novembro, está agora em pleno processo de reagrupamento de forças antes de se organizar para a próxima disputa eleitoral para a Casa Branca.

Além de não ter conseguido eleger John McCain presidente dos Estados Unidos, a derrota eleitoral teve um gosto especialmente amargo para os republicanos por causa da disputa no Congresso, que agora tem suas duas casas dominadas pelos democratas. O partido de Sarah Palin perdeu consideráveis seis lugares no Senado e 20 na Câmara dos Representantes.

Junto com a governadora do Alasca, participam da reunião em Miami outras jovens promessas republicanas, consideradas preciosas reservas políticas para o futuro, como os goverandores Tim Pawlenty, de Minnesota (norte), Bobby Jindal, da Louisiana (sul) e Charlie Crist, da Flórida (sudeste).

Após os oito anos do governo de George W. Bush, que deixa a administração com o pior nível de popularidade já registrado por um presidente nos Estados Unidos, e o enfraquecimento político de John McCain, que aos 72 anos teve provavelmente sua última chance de chegar à Casa Branca, os republicanos sentem na pele a urgência de uma renovação de suas lideranças.

Sem recorrer a meias palavras, Bobby Jindal reconheceu que a vitória dos democratas foi ampla e inquestionável.

"A campanha de Obama foi extraordinária em todo o território, não devemos discutir sobre isso, devemos aprender", destacou o governador da Louisiana ao discursar na conferência.

Para Charlie Crist, o Partido Republicano "precisa voltar a ser um partido de integração, que ganhe adeptos também dentro da comunidad afro-americana e recupere o voto dos hispânicos", que assim como os negros votaram em peso na chapa democrata.

Frank Luntz, pesquisador e estrategista político do Partido Republicano, disse que uma das causas do fracasso nas urnas foi a derrota sofrida pelos conservadores contra os meios de comunicação.

"Os republicanos podem ter os talk shows no rádio, mas os democratas tiveram a internet, que é a ferramenta do momento", apontou.

Luntz citou seus próprios estudos, indicando que, durante a campanha presidencial, 64% das pessoas teve acesso a informações sobre os candidatos através da internet, enquanto apenas 46% o fizeram pela TV a cabo.

Outro problema importante que complicou a situação do Partido Republicano foi "a perda dos jovenes republicanos", disse Luntz. "Tivemos apenas 32% do voto dos jovens, o nível mais baixo já registrado".

Para Haley Barbour, governador do Mississippi (sul), a questão para os republicanos neste momento "não é analisar a campanha de McCain".

"Nosso problema é perceber o que aconteceu nos últimos anos e tentar aprender com nossos muitos erros", afirmou.

jco/ap/sd

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