Republicanos e democratas mostram suas garras na reta final

Macarena Vidal. St. Paul (EUA), 5 set (EFE).

EFE |

- Democratas e republicanos mostraram hoje suas garras na reta final da campanha para as eleições presidenciais nos Estados Unidos, depois do fim, na noite de ontem, da convenção republicana.

Restam apenas 60 dias para as eleições de 4 de novembro e, agora que as convenções de ambos os partidos terminaram com sucesso, tanto o democrata Barack Obama como o republicano John McCain se consideram fortalecidos.

McCain, que na noite passada fez discursou aceitando a candidatura republicana à Casa Branca, saiu inesperadamente fortalecido de uma convenção que começou com o pé esquerdo, já que o impacto do furacão "Gustav" no sul dos EUA roubou as atenções.

O índice diário do Instituto Gallup aponta que a vantagem de Obama, na segunda-feira, de oito pontos caiu para quatro. O democrata tem 48% das intenções de voto enquanto McCain, 44%.

A surpreendente escolha da governadora do Alasca, Sarah Palin, como companheira de chapa de McCain foi uma aposta arriscada, mas que parece ter dado lucro para os republicanos.

Palin foi a autêntica estrela da convenção e encantou os cerca de 2.400 delegados presentes com um discurso em que atacava Obama e se apresentava como uma mãe que queria derrotar os poderes estabelecidos.

A governadora, que é contra o aborto e a favor das armas, se tornou instantaneamente uma estrela para a base conservadora republicana.

Porém, também captou a atenção do público em geral. Seu discurso televisionado, contou com audiência de 37 milhões de pessoas, quase um milhão a menos do que os que viram Obama na convenção democrata.

Os republicanos acreditam que Palin preenche a distância que havia entre os dois partidos quanto ao entusiasmo em relação aos seus candidatos. Até agora, os democratas, hipnotizados por Obama, obtinham uma vantagem clara.

Para tentar aproveitar o bom momento, McCain e Palin partiram ontem à noite imediatamente de St. Paul, onde foi realizada a convenção republicana, para Wisconsin, estado em Obama é favorito e onde o candidato republicano deve realizar uma série de comícios.

Já a governadora, que ainda não deu declarações à imprensa, começará a partir da semana que vem a participar de comícios sozinha.

Obama pretende participar de atos eleitorais na Pensilvânia e em Nova Jersey.

O candidato democrata está confiante em suas possibilidades.

Depois do fim de sua convenção na semana passada, o partido se uniu, superando as divisões entre os partidários de Obama e os da senadora Hillary Clinton.

Obama viu sua popularidade alavancar depois de sua convenção, e, em geral, o ambiente político destas eleições favorece os democratas.

O candidato democrata é o porta-voz da mensagem de mudança, um lema que os republicanos pretendem, agora, utilizar também.

Em seu discurso na noite passada, McCain ofereceu "um aviso às pessoas de sempre em Washington, que não fazem nada, gastam muito, pensam nelas mesmas primeiro e no país depois: a mudança se aproxima".

O diretor de campanha de Obama, David Axelrod, disse hoje que "na noite passada, o senador McCain usou a palavra mudança, mas as políticas que descreve são muito familiares".

"Isso não é mudança, é mais do mesmo", argumentou.

As duas campanhas trocaram também acusações quanto aos dados de desemprego revelados hoje e que mostram a mais elevada porcentagem de desemprego nos EUA dos últimos cinco anos, 6,1%.

"Quando nossa economia padece, a última coisa que devemos fazer é aumentar os impostos, como Barack Obama planeja e fez", defendeu McCain.

O candidato democrata propõe cortar os impostos das famílias de classe média e elevar os dos mais ricos.

Obama, no entanto, respondeu que "o relatório sobre desemprego de hoje lembra o que está em jogo nestas eleições".

"John McCain demonstrou ontem à noite (na convenção) que pretende continuar as políticas econômicas que fizeram com que a economia americana perdesse, só neste ano, 605 mil postos de trabalho", acrescentou. EFE mv/bm/rr

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