Republicanos criticam Obama por mudança de posição sobre Iraque

A campanha do candidato presidencial republicano, John McCain, fez novas críticas a seu adversário Barack Obama, após comentários nos quais o democrata parecia voltar atrás em sua promessa de retirar as tropas americanas do Iraque.

EFE |

"Não se sabe o que Barack Obama quer fazer (no Iraque). Meteu-se em uma confusão. Disse coisas equivocadas e agora não sabe como mudar de posição", afirmou o senador republicano Lindsay Graham, um dos colaboradores mais estreitos de McCain, em entrevista à rede de televisão "CBS".

O senador democrata John Kerry defendeu o aspirante de seu partido à Casa Branca nesta mesma emissora, com o argumento de que "não houve nenhuma mudança em absoluto em sua determinação de encerrar a guerra".

Em todo caso, a controvérsia de Obama o colocou na defensiva e o obrigou a "esclarecer" suas declarações durante o fim de semana, e reiterar a retirada da maioria das tropas americanas do Iraque nos 16 primeiros meses de sua administração, caso vença as eleições presidenciais em novembro.

O Iraque foi uma de suas grandes bandeiras nas primárias, quando disse várias vezes que havia sido contra a invasão do Iraque desde o início, enquanto Hillary Clinton - que também concorreu pela candidatura democrata - votara a favor da proposta no Senado.

No entanto, o eleitorado em nível nacional é mais moderado que os eleitores com inclinações de esquerda que pertencem ao Partido Democrata. E, após se transformar no candidato da legenda, Obama rumou para o centro político em questões como comércio exterior, segurança nacional e o direito a porte de armas, entre outros.

Assim, quando na quinta-feira ele disse que poderia rever sua posição política para o Iraque, depois de se reunir com os comandantes de sua próxima viagem ao Iraque, prevista para este mês, a imprensa americana interpretou como se isto fosse um primeiro sinal para suavizar a postura dele sobre a retirada das tropas.

No mesmo dia, Obama se viu obrigado a convocar uma segunda entrevista coletiva para enfatizar que não tinha mudado de opinião.

"Em meu primeiro dia no Governo, chamarei os chefes do Estado-Maior e lhes darei uma nova missão, que é acabar com a guerra", afirmou.

O democrata explicou que, após os 16 meses iniciais, só deixará no Iraque uma força para combater a Al Qaeda, treinar as tropas do país e proteger a Embaixada dos Estados Unidos.

O episódio reflete a dificuldade de Obama de ajustar sua postura com a redução da violência no Iraque e das baixas americanas, o que torna menos urgente para os eleitores que as Forças Armadas deixem o Iraque.

A melhora das condições aconteceu depois de o Governo de George W. Bush aumentar o número de tropas no país, embora muitos analistas acreditem que se deva principalmente à aproximação entre os líderes sunitas e os EUA para combater a Al Qaeda.

Em todo caso, McCain foi um dos grandes impulsores do envio de mais soldados quando poucos republicanos se arriscaram pelo plano de Bush, ao qual Obama e os democratas se opuseram.

Agora, a campanha republicana encontrou um ponto frágil do rival.

"Obama disse que não funcionaria", disse Graham, que reafirmou que o progresso militar e político no Iraque é "inegável".

"A única maneira pela qual podemos perder a guerra é se seguirmos o caminho de Obama, que é sair de lá", enfatizou.

Joseph Lieberman, um senador independente que também apóia McCain, afirmou hoje à "CBS" que o candidato republicano "seguiu seus princípios e foi conseqüente".

"Já o senador Obama mudou sua postura", afirmou.

Na mesma emissora, o senador democrata Jack Reed respondeu dizendo que Obama "tem uma estratégia para dar um novo destino às tropas, fora do Iraque".

"O senador McCain tem uma estratégia para deixá-las ali de forma indefinida", afirmou.

Apesar das palavras de uns e de outros, McCain também se movimentou. Em fevereiro, provocou uma onda de críticas após afirmar que os EUA poderiam manter tropas no Iraque por "talvez 100 anos".

Meses depois, previu que a maioria das tropas já terá retornado em janeiro de 2013, apesar de ter criticado várias vezes os democratas por desejarem estabelecer uma data para a retirada. 

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