WASHINGTON - Sonia Sotomayor, nomeada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para a Suprema Corte, prometeu nesta segunda-feira aplicar a lei imparcialmente, enquanto os republicanos questionaram sua objetividade no primeiro dia das audiências no Congresso para confirmação da indicação dela.

A previsão é que Sotomayor, de 55 anos, seja facilmente confirmada e se torne a primeira juíza de origem hispânica. A Suprema Corte é ideologicamente dividida. Nela, os nove integrantes tomam decisões sobre questões constitucionais importantes, tais como a pena de morte, aborto e direito de porte de arma.

Nomeada por Obama em 26 de maio, Sotomayor recordou sua história "exclusivamente americana", como filha de pais porto-riquenhos que foi criada em conjuntos habitacionais de famílias pobres em Nova York. E, mais tarde, entrou para instituições universitárias de primeira linha e se tornou juíza de cortes de apelação.

Ela procurou apaziguar seus críticos republicanos, que a retrataram como parte de um plano de Obama para apontar "ativistas" liberais para a Suprema Corte para efetuar mudanças na política social.

"Nos meus 17 anos como magistrada, testemunhei as consequencias humanas de minhas decisões. Essas decisões foram tomadas não para atender os interesses de qualquer um dos litigantes, mas sempre para servir ao interesse maior da justiça imparcial", disse Sotomayor em seu breve comentário na abertura das audiências.

"No último mês, muitos senadores perguntaram-me sobre minha filosofia judiciária. Ela é simples: fidelidade à lei. A tarefa de um juiz não é fazer a lei, mas simplesmente aplicá-la."

A afirmação de Sotomayor foi feita no encerramento do primeiro dia de audiências no comitê de Justiça do Senado, onde os republicanos estão lutando com muito esforço contra sua nomeação. A previsão é que as audiências prosseguirão por vários dias.

Os republicanos não admitem que não têm votos para impedir que o Senado, dominado pelos democratas, aprovem Sotomayor para o cargo vitalício. Muitos em ambos os lados do espectro político concordam que ela tem qualificações legais notáveis.

"Se você não passar por uma mudança completa, você será confirmada", disse o senador republicano Lindsey Graham a Sotomayor, afirmando que ele mesmo ainda não decidiu como votará.

Outros republicanos fizeram emergir o que dizem ser elementos da trajetória de Sotomayor que mostram que ela colocaria tendências pessoais ou "empatia" acima do estatuto legal.

"Acredito que nosso sistema legal está numa encruzilhada perigosa", disse o senador Jeff Sessions, o principal representante republicano no comitê.

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