O tom da campanha americana se endureceu neste fim de semana, quando os republicanos não hesitaram em acusar o democrata Barack Obama de ter ligações com terroristas, uma estratégia que pode dar certo junto aos eleitores do país, preocupados no momento com a crise financeira, mas sempre atentos à questão de segurança nacional.

A três dias do segundo debate televisivo entre os dois canditados e faltando um mês para as eleições, a equipe de John McCain anunciou que vai iniciar uma campanha ofensiva contra o senador por Illinois.

De fato, a candidata republicana à vice-presidência, Sarah Palin, iniciou no sábado essa ofensiva contra Obama, dando espaço para que seu companheiro de chapa se prepare para o crucial debate de terça.

Ela acusou o democrata de ser "alguém que vê os Estados Unidos como algo tão imperfeito que, aparentemente, é amigo de terroristas dispostos a tomar como alvo seu próprio país".

Palin se referia a um artigo do The New York Times sobre Bill Ayers, uma ex-militante contra a guerra do Vietnã que lançou uma campanha de atentados nos Estados Unidos e cujo caminho cruzou com o de Obama nos anos 1980.

Os democratas classificaram o ataque como "ridículo, desonesto e imoral".

Quando Ayers era ativista, Barack Obama tinha oito anos, insistiu neste domingo, em uma entrevista à rede de televisão CNN Rahm Emmanuel, representante democrata no Illinois.

"Eles acham realmente que os Estados Unidos vão achar que Barack Obama 'é amigo de terroristas'?", ironizou no canal Fox Claire McCaskill, senadora democrata no Missouri (centro), aludindo à equipe republicana.

Para os democratas, os ataques têm como único objetivo "mudar de assunto", considerando que o tema em voga - a crise econômica -, é extremamente negativo para os republicanos.

Segundo eles, nos últimos 15 dias de crise financeira, McCain se mostrou um "lunático", manifestando assim sua "incompetência para assuntos econômicos".

Quanto à ofensiva prometida por McCain, um ex-conselheio da Casa Branca, Stephen Hess, analisa que agora é uma corrida contra o tempo, porque tudo está do lado de Obama, principalmente a questão da economia.

"Não imagino que outras estratégicas políticas McCain vai usar para fazer uma diferença até as eleições", acrescentou.

O certo é que Obama lidera as últimas pesquisas divulgadas. Segundo o site RealClearPolitics, Obama supera seu adversário em todas as pesquisas noticiadas no sábado, com uma média de 49,3% das intenções de voto contra 43,4% para McCain.

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