Os republicanos comemoravam com alarde, nesta quarta-feira, o discurso da senadora Hillary Clinton na Convenção Democrata, alegando que, com suas palavras, ela mesma ajudou a desconstruir a candidatura de Barack Obama.

Comentaristas políticos se concentraram no fato de que, em um discurso repleto de drama, lágrimas e, por que não, risos, no qual Hillary pediu, repetidas vezes, aos correligionários que elejam Obama presidente, ela não disse, uma única vez, que ele está preparado para liderar.

"Acho que ela fez um discurso muito bom, de seu ponto de vista e do nosso, mas não necessariamente do ponto de vista de Barack Obama", avaliou o ex-presidente republicano de Nova York Rudolph Giuliani, em comentário para a FOX News.

"Ela nunca respondeu realmente à questão essencial: se ele (Obama) está pronto para ser presidente, que foi a questão que ela lançou, de forma bastante dramática, durante as primárias", acrescentou.

Enquanto os últimos gritos entusiasmados ecoavam no centro de convenções de Denver, a equipe do republicano John McCain prontamente esmiuçava o discurso de ontem à noite da ex-primeira-dama.

"A senadora Hillary fez sua campanha à presidência deixando claro que Barack Obama não está preparado para liderar como comandante-em-chefe", declarou, em nota, o porta-voz de McCain, Tucker Bounds.

"Em nenhum lugar, esta noite, ela alterou essa avaliação. Em nenhum lugar, esta noite, ela disse que Barack Obama está pronto para liderar. Milhões de eleitores de Hillary Clinton e milhões de americanos continuam preocupados sobre se Barack Obama está pronto para ser presidente", alfinetou Bounds.

O discurso da senadora encantou a platéia e, em momento algum, pareceu que ela planeja deixar a política tão cedo. Em vez disso, Hillary falou sobre a história de sua própria campanha e de seu futuro.

"Essa é uma luta pelo futuro, e é uma luta que precisamos vencer", disse ela, em uma declaração que se referia à eleição de novembro, mas que também poderia ser relacionada, facilmente, às suas próprias ambições políticas.

Para o influente analista político Michael Barone, em comentário para a revista "U.S. News", o discurso serviu para alertar a todos que Hillary Clinton poderá protagonizar mais uma disputa histórica para a Casa Branca, em 2012.

O discurso foi "bom, mas não tão bom para Barack Obama, em 2008. Melhor ainda, se as coisas mudarem como parecem, para Hillary Clinton, em 2012", escreveu.

"O que faltou foi muito no sentido de uma descrição de Barack Obama. Que tipo de homem ele é? Alguém que apóia as mesmas posições que ela", completou.

"Será que ela olhou fundo em seu coração e encontrou alguma coisa que valha a pena? Não há sinal aqui de que ela tenha feito isso. Seria ele um bom comandante-em-chefe? Nenhuma palavra sobre isso, como a campanha de McCain rápida e alegremente observou", insistiu Barone.

Sobre a adoração a Hillary, na terça à noite, o comentarista político conservador Rush Limbaugh disse à FOX News que essa foi "a primeira vez, desde 1976, que uma convenção ficava mais entusiasmada com um perdedor do que com um vencedor".

Apesar de pedir a seus milhões de desapontados eleitores para votar em Obama, ela "se desvinculou dele", apontou Limbaugh, apresentador de um dos mais ouvidos talk shows das rádios americanas.

"Esses dois (em referência ao casal Clinton) precisam de que Obama perca e irão fazer tudo que puderem, depois de Denver, para ver o que acontece", acrescentou.

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