Republicano abre espaço para confirmação de embaixador dos EUA no Brasil

Washington, 17 dez (EFE).- O senador republicano George LeMieux, disse hoje que permitirá o voto para a confirmação de Thomas Shannon como próximo embaixador dos Estados Unidos no Brasil depois de ter recebido garantias de que Washington promoverá a democracia em países como Honduras e Cuba.

EFE |

Ex-secretário de Estado adjunto para o Hemisfério Ocidental, Shannon foi escolhido pelo presidente americano, Barack Obama, para ser embaixador dos EUA no Brasil, mas LeMieux impediu sua nomeação como forma de protesto à postura de Washington em relação ao golpe de Estado em Honduras.

De acordo com o processo legislativo americano, a confirmação de Shannon no novo cargo fica agora inteiramente nas mãos da maioria democrata do Senado, em particular do líder do partido, Harry Reid.

Por enquanto, o gabinete de Reid não se pronunciou sobre a decisão de LeMieux nem sobre o próximo passo para a nomeação do diplomata.

LeMieux explicou em comunicado que conversou sobre a nomeação de Shannon com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, a quem expressou sua preocupação sobre retrocessos da democracia e o aumento de regimes autoritários na América Latina.

"Recebi compromissos suficientes da secretária de que a política da Administração na América Latina, particularmente em Honduras e Cuba, será a de promover os ideais e metas da democracia", afirmou o republicano.

O senador citou como exemplo do compromisso de Washington que, no caso de Honduras, os EUA "continuarão normalizando as relações com o Governo desse país e o presidente eleito" hondurenho, Porfirio Lobo.

No caso de Cuba, segundo LeMieux, os EUA retomarão o processo para que organizações sem fins lucrativos solicitem ajuda para a promoção da democracia e permitirá a inclusão de líderes do movimento democrático em atividades da escritório americano de interesses em Havana.

Como prova dessas garantias, o gabinete de LeMieux divulgou uma carta do novo secretário de Estado adjunto para o Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela, que teve o aval de Hillary.

De acordo com as regras do Legislativo dos EUA o bloqueio a uma nomeação é um direito ao qual podem recorrer os congressistas da oposição.

LeMieux considerou que a política externa dos EUA para a América Latina se encontra em uma "conjuntura crítica" e que as ações do país mandaram um recado sobre o compromisso de Washington "com a democracia, os direitos humanos e o império da lei".

Para o senador, é "fundamental" que os EUA deem claros sinais de seu compromisso nesse sentido porque líderes que buscam desestabilizar a região, cujos nomes não citou, "estão prestando muita atenção" às ações do Governo de Washington. EFE mp/bba

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