República Tcheca e EUA assinam acordo para construção de escudo antimísseis

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e seu colega tcheco, Karel Schwarzenberg, assinaram nesta terça-feira em Praga um acordo bilateral para a construção de um sistema de defesa antimísseis, afirmando que se trata de um avanço para a segurança mundial, apesar da enérgica oposição russa.

AFP |

Este acordo permite a instalação de uma estação de radar em território tcheco como parte de um escudo que os Estados Unidos consideram necessário para prevenir ataques potenciais de países como o Irã.

Os Estados Unidos querem que este radar seja conectado a um sistema de interceptação de mísseis na vizinha Polônia, embora até agora as negociações para sua construção estejam entravadas, uma vez que os poloneses exigem garantias adicionais de segurança.

"Este acordo é considerado a pedra angular não somente para a segurança dos Estados Unidos e da República Tcheca, mas também para a segurança da Otan e de toda a comunidade internacional", destacou Rice.

"A proliferação de mísseis balísticos não é uma ameaça imaginária", acrescentou a secretária de Estado.

A Rússia considera o plano uma ameaça à própria segurança, apesar das afirmações americanas.

"Queremos que o sistema seja transparente para os russos", insistiu Rice nesta terça-feira.

A assinatura deste acordo bilateral entre Estados Unidos e a República Tcheca "complica" a segurança mundial, declarou nesta terça-feira o ministério russo das Relações Exteriores, citado pela agência Interfax.

Em outras ocasiões, os Estados Unidos sugeriram que dirigentes russos pudessem inspecionar as instalações antimísseis, sempre que a República Tcheca e a Polônia estivessem de acordo.

As pesquisas mostram que aproximadamente dois terços dos tchecos são contra a construção do radar americano.

O primeiro-ministro tcheco, Mirek Topolanek, disse que este acordo põe em evidência "um desejo conjunto de proteger o mundo livre".

Praga foi a primeira etapa de um giro por três países que levará Rice a Bulgária e a Geórgia, onde reiterará o apoio americano à candidatura georgiana à Otan - um outro ponto de litígio com a Rússia.

A secretária de Estado também tentará acalmar a tensão entre Rússia e Geórgia provocada pelas regiões separatistas georgianas de Abkházia e Ossétia do Sul, respaldadas por Moscou.

"A Geórgia é um estado independente e deve ser tratado como tal", insistiu Rice.

Rice não visitará a Polônia, onde 14 meses de conversas não conseguiram resolver os obstávulos para a instalação do sistema antimísseis americano.

"Ainda há questões para serem resolvidas lá, mas os EUA fizeram uma proposta muito generosa" aos poloneses que querem melhorar sua defesa aérea, afirmou Rice.

A Otan aprovou a construção do sistema de defesa antimísseis americano durante sua cúpula de abril em Bucareste.

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