República Dominicana reforça segurança na fronteira com Haiti

Medida é tomada após autoridades dominicanas confirmarem 1º caso de cólera; por protestos, ONU para operações no norte do Haiti

iG São Paulo |

As autoridades dominicanas reforçaram nesta quarta-feira as medidas de segurança em uma das fronteiras entre o país e o Haiti, depois de ter sido detectato na terça-feira o primeiro caso de cólera na República Dominicana e de terem sido registrados novos casos da doença na cidade fronteiriça de Ouanaminthe (Haiti), localizada a 600 metros da província dominicana de Dajabón.

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Corpo de homem com corda presa no pé é visto em rua perto de hospital de campanha onde pacientes com cólera são tratados em Porto Príncipe, Haiti
Segundo o ministro dominicano de Saúde Pública, Bautista Rojas, o paciente identificado é "Wilmont Lowel, de 32 anos, um haitiano que está internado em um hospital da cidade de Higuey", no leste do país, a 140 km de Santo Domingo. De acordo com o ministro, Lowel trabalha em construção na cidade de Higüey e viajou ao Haiti no dia 29 de outubro, voltando à República Dominicana em 2 de novembro.

Além do caso da República Dominicana, uma mulher moradora do condado de Collier, na Flórida, que viajou para o Haiti para visitar a família, foi hospitalizada ao retornar ao Estado após ser diagnosticada com sintomas de cólera, informou o jornal "The Miami Herald".

A República Dominicana e o Haiti compartilham a ilha de Hispaniola e uma fronteira de 376 km, onde há intensa circulação de pessoas e de mercadorias. Há duas semanas, o governo dominicano estabeleceu severos controles para impedir a chegada da cólera ao país, limitando ao máximo a entrada de haitianos e o comércio bilateral.

Nesta quarta-feira, uma fonte do Corpo Especializado de Segurança Fronteiriça Terrestre (Cesfront) disse que foi montado um cordão militar no limite entre os dois países para evitar a entrada de haitianos imigrantes ilegais. "Em Dajabón existe um sentimento de muito pânico e as pessoas, desde que souberam que no hospital de Ouanaminthe há pacientes com cólera, começaram a tomar medidas de segurança", disse Wiliam Estévez, do canal 6 da televisão local.

O diretor de Saúde Pública de Dajabón, Rafael Sala, disse que foram adotadas "medidas extremas" de segurança na região e que, embora habitualmente seja permitida a entrada de haitianos em território dominicano, depois da identificação do caso de Wilmont Lowel apenas cidadãos que apresentarem documentos poderão entrar.

ONU suspende operações no norte do Haiti

No Haiti, o cólera provocou 1.110 mortes, segundo novo balanço divulgado nesta quarta-feira pelo Ministério da Saúde. O número de internações aumentou em 1.583 , alcançando um total de 18.382 desde o começo da epidemia, em meados de outubro.

Na capital Porto Príncipe, milhões de pessoas vivem em campos de refugiados desde o terremoto de 12 de janeiro, em condições higiênicas precárias. Lá, o número de mortos chegou a 46, contra 38 no balanço anterior.

A epidemia aumentou o descontentamento de muitos haitianos que culpam soldados nepaleses da Minustah (missão de paz da ONU no Haiti) de levarem o cólera ao país. A ONU confirmou que o tipo de cólera verificado no Haiti é o mesmo existente no Nepal, mas diz não ter encontrado provas de que seus soldados sejam os portadores da doença.

Na terça-feira, confrontos deixaram dois mortos na segunda maior cidade do país, Cap Haitien. Por causa da violência, a organização anunciou nesta quarta-feira que suspendeu as operações de ajuda. De acordo com a ONU a violência no norte do país tem motivações políticas e visa prejudicar as eleições marcadas para o dia 28 de novembro.

AP
Com uma camiseta do candidato presidencial Jude Celestin, homem carrega menina com sintomas de cólera na entrada do hospital St. Catherine em Porto Príncipe, Haiti
A organização diz que ataques contra seus funcionários que tentam combater a doença estão prejudicando a resposta internacional à epidemia. Voos que levam ajuda para a região foram cancelados, projetos de purificação de água e treinamento foram cortados. Alimentos foram saqueados ou queimados em um armazém da ONU.

O cólera é causado por uma bactéria transmitida por água ou alimentos contaminados, causando febre, diarreia e vômitos, levando à desidratação severa, e pode matar em 24 horas se não for tratado. No entanto, a doença pode ser controlada facilmente por meio da reidratação e de antibióticos.

Muitos haitianos não têm acesso à água limpa, sabão e saneamento adequado. Há receio de que o cólera se espalhe pelos acampamentos de sobreviventes do terremoto ocorrido em janeiro, onde vivem 1,1 milhão de pessoas.

*Com EFE, AFP e BBC

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