Repressão policial na Guiné deixou pelo menos 128 mortos, segundo oposição

A violenta repressão policial a um protesto da oposição na segunda-feira na capital da Guiné, Conacri, deixou pelo menos 128 mortos, afirmou nesta terça o partido do ex-primeiro-ministro opositor Sydia Toure.

AFP |

"Em consequência da manifestação já há 70 mortos no hospital Ignace Deen e 58 no hospital Donka", denuncia em um comunicado o partido de Toure, a União de Forças Republicanas (UFR).

"Além disso, militares foram vistos recolhendo cadáveres nas ruas para levá-los ao campo Alpha Yaya Diallo, sede da junta, provavelmente para evitar uma contagem precisa do número de mortos que mostraria o tamanho da matança", indica a UFR - cujo presidente, que participava do protesto, ficou ferido na cabeça.

"Os crimes do Exército guineano, porém, não acabam aí: várias mulheres foram estupradas pela guarda pretoriana de Dadis Camara (líder da junta) perto do estádio onde a multidão havia se reunido", acrescenta o comunicado.

"Segundo fontes no local, as autoridades criaram uma armadilha para o povo reunido: o Exército aguardou que o estádio ficasse cheio para entrar e disparar contra a multidão", afirma o partido de Toure.

Segundo uma fonte da polícia, que pediu anonimato, as forças de segurança guineanas dispararam na segunda-feira contra uma manifestação hostil à junta militar que governa o país e mataram pelo menos 87 pessoas.

Dois dirigentes da oposição, Cellou Diallo e Dallein Sydia Toure, ambos ex-primeiros-ministros, ficaram feridos durante a repressão da manifestação e tiveram suas casas saqueadas pelos militares, que "levaram tudo", relataram testemunhas à AFP.

cpy/ap/fp

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