Repressão policial a manifestantes deixa pelo menos 71 feridos na Tailândia

Bangcoc, 7 out (EFE).- Pelo menos 71 pessoas ficaram feridas hoje quando a Polícia tailandesa dispersou uma manifestação antigovernamental que cercava o Parlamento em Bangcoc para impedir o debate de uma proposta de emenda à Constituição de 2007.

EFE |

O vice-primeiro-ministro tailandês, Chavalit Yongchaiyudh, decidiu assumir a responsabilidade pela atuação policial e anunciou sua renúncia ao primeiro-ministro do país, Somchai Wongsawat, que também é ministro da Defesa.

A emissora "Channel 3" informou que uma pessoa perdeu uma das pernas na explosão de um projétil de gás lacrimogêneo durante a repressão e acrescentou que o estado de saúde de outros três tailandeses é grave.

"A julgar pelas feridas das vítimas que tratamos na sala de operações, achamos que os ferimentos não foram causados por gás lacrimogêneo", declarou o diretor do Hospital Vachira, Wanchai Charoenchokthavee, à rádio tailandesa.

Wanchai, cujo centro sanitário atendeu 47 pessoas, indicou a possibilidade de as lesões terem sido causadas por explosões fortes o bastante para destruírem tecidos e ossos.

Em entrevista coletiva, a Polícia Metropolitana de Bangcoc descartou esta hipótese e assegurou que só utilizou gás lacrimogêneo.

O general da Polícia Amnuay Nimmano ressaltou que a entidade cumpriu os procedimentos para este tipo de manifestações e disse ter se tratado de uma ação "necessária" para dispersar mais de 5 mil pessoas da Aliança do Povo para a Democracia (APD) que isolavam o Parlamento.

Nimmano destacou a possibilidade de os próprios manifestantes terem ferido algumas pessoas na hora de fugir.

A sessão parlamentar conjunta, de ambas as câmaras, começou com a ausência dos legisladores da principal formação da oposição, o Partido Democrata, e de um grupo de 40 senadores que se opõem às emendas constitucionais.

Ao final, o primeiro-ministro, sob fortes medidas de segurança, conseguiu chegar ao Legislativo para sua primeira reunião desde que assumiu o cargo em meados de setembro, depois que seu antecessor e companheiro de partido, Samak Sundaravej, foi inabilitado pelo Tribunal Constitucional por violar a Carta Magna.

O presidente da Casa dos Representantes (câmara baixa), Chai Chidchob, chegou à sessão cerca de duas horas depois, mas foi surpreendido no edifício por manifestantes que haviam cercado o recinto exterior.

Os agentes da ordem precisaram abrir uma via lateral para que governantes e legisladores deixassem o edifício.

Em outra parte de Bangcoc, o magnata das comunicações Sonthi Limthongkul, um dos nove dirigentes da APD, exigiu a dissolução do Congresso e ameaçou aumentar os protestos caso sua reivindicação não fosse cumprida.

No final de semana passado, os corpos de segurança detiveram Chamlong Srimuang, ex-governador de Bangcoc e militar aposentado, e Chaiwat Sinsuwongse, líderes da APD acusados de insurreição, conspiração, reunião ilegal e desacato à autoridade - acusações que podem acarretar pena de morte.

Srimuang, ex-general de profundas convicções budistas, disse que as manifestações antigovernamentais continuarão enquanto o Partido do Poder Popular (PPP) governar, legenda considerada uma extensão do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, deposto por um golpe militar em 2006.

Shinawatra perdeu o poder e optou por se exilar até que seus seguidores recuperassem o Governo nas eleições de 23 de dezembro de 2007, provocando a atual crise.

O estudante Santi Larnwong, de 22 anos, disse que sofreu vários ferimentos durante a repressão policial, mas não pensava em ir embora e queria seguir com seus companheiros que pedem a renúncia de Wongsawat, cunhado de Shinawatra. EFE tai/fh/fal

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