Repressão no Irã gera forte condenação do Ocidente na ONU

Virgínia Hebrero. Genebra, 15 fev (EFE).- O Irã recebeu hoje na ONU fortes críticas de países ocidentais pela repressão aos protestos pacíficos dos últimos meses, assim como pelo elevado número de execuções e outras violações dos direitos humanos.

EFE |

Logo de início, os Estados Unidos abriram fogo ao discursarem depois do representante iraniano na sessão do Conselho de Direitos Humanos dedicada ao Exame Periódico Universal do Irã, enquanto centenas de opositores ao regime de Teerã protestavam na porta do Palácio das Nações.

"Os EUA condenam fortemente a recente violência e a repressão injusta de cidadãos iranianos inocentes, que trouxe detenções, mortos e feridos", assinalou o secretário de Estado adjunto para a Democracia, Direitos Humanos e Trabalho americano, Michael Posner.

O representante dos EUA condenou as crescentes restrições da liberdade de expressão, com o fechamento de meios de comunicação e a detenção de jornalistas iranianos e estrangeiros, assim como os impedimentos ao acesso a internet. Falou também da situação dos presos e da "ausência de julgamentos justos".

As gestões diplomáticas conseguiram que a lista dos mais de 80 oradores apontados para a sessão fosse liderada, além de pelos EUA, por outros países muito críticos ao Irã, como Israel, Canadá e França.

O secretário-geral do Alto Conselho de Direitos Humanos do Irã, Mohammad Javad Larijani, foi o encarregado de representar o país e se defendeu das críticas. Segundo ele, Teerã é vítima de uma política de "dois pesos e duas medidas" nas relações internacionais.

Larijani denunciou as "sanções unilaterais e coercitivas impostas ao Irã por alguns países ocidentais por razões puramente políticas (...) e que tiveram um impacto negativo no desenvolvimento do país".

Entre as consequências das sanções citou, como exemplo, "a proibição à venda aviões de passageiros e a falta de peças de reposição, o que causou a morte de centenas de pessoas em um recente acidente aéreo no Irã".

A imposição de novas sanções econômicas ao Irã, que os EUA tentam conseguir, foi rejeitada na sexta-feira passada pela mais destacada opositora do regime de Teerã, a Nobel da Paz Shirin Ebadi.

Nos discursos hoje, a França disse que "as autoridades realizam uma repressão sangrenta contra sua própria população, que reivindica pacificamente seus direitos".

O embaixador espanhol na ONU, Javier Garrigues, por sua vez, falou do alto número de execuções no Irã, segundo do mundo em penas de morte atrás apenas da China.

"A Espanha está preocupada com a contínua deterioração dos direitos humanos no Irã. Recomendamos que aceite a visita dos relatores especiais da ONU (...) e lamentamos o emprego indiscriminado da pena de morte", assinalou o diplomata.

Os casos de tortura, penas como apedrejamento e amputação de membros, a falta de independência do Poder Judiciário e as leis discriminatórias foram outros aspectos criticados pelos países ocidentais.

O regime islâmico recebeu, no entanto, o firme apoio de nações como Cuba, Nicarágua e Venezuela, que louvaram a Revolução Islâmica por pôr fim à ditadura e os avanços sociais do país.

No exterior do edifício e com temperaturas abaixo de zero, centenas de opositores iranianos chegados de todas as partes da Suíça e de outros países europeus se reuniram para pedir a libertação de prisioneiros políticos e o fim da tortura, e para defender os direitos das mulheres.

"Fim das execuções no Irã" e "Abaixo a ditadura" eram alguns dos cartazes exibidos pelos manifestantes, que pretendem permanecer ali até quarta-feira, quando o Conselho de Direitos Humanos deve emitir suas conclusões sobre Teerã. EFE vh/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG