Manifestantes foram às ruas nesta sexta-feira; ação das forças militares já levou pelo 12 mil refugiados à Turquia

Dezenas de milhares de manifestantes foram às ruas na Síria nesta sexta-feira, contra a repressão comandada pelas forças militares aos protestos pró-democracia, que já duram 13 semanas e pedem a saída do presidente Bashar al-Assad. A ação comandada hoje pelo governo deixou pelo menos 15 mortos em Damasco e em áreas próximas à capital.

Segundo informou à AFP um ativista de direitos humanos, três pessoas morreram e 25 ficaram feridas nos protestos em Damasco. “Diga ao mundo que Bashar ( al-Assad ) não tem legitimidade”, gritavam milhares de manifestantes no subúrbio de Irbin, em Damasco, informou uma testemunha por telefone, enquanto multidões gritavam ao fundo. Também houve ocorrências em outros pontos da capital, como no bairro de Al Qidam e nos arredores da mesquita de Al Tal.

Protestos contra o governo prosseguiram na sexta-feira, apesar da repressão
Reuters
Protestos contra o governo prosseguiram na sexta-feira, apesar da repressão

Além disso, pelo menos cinco pessoas morreram e seis ficaram feridas quando as forças militares abriram fogo contra manifestantes em Kesua, perto da capital. A polícia também disparou em Homs (centro), e matou um manifestante. Como todas as sextas-feiras, milhares de pessoas tomaram conta das ruas depois da oração muçulmana semanal para reclamar a queda do regime. "As forças de segurança dispersaram violentamente os manifestantes, principalmente em Damasco", afirmou o chefe do Observatório sírio de Direitos Humanos, Abdel Rahman, que também falou de prisões. "Mais de 30.000 pessoas protestaram em Deir Ezor (leste), cerca de 10.000 marcharam pela região de Idleb (noroeste) e outras milhares por outras partes do país", acrescentou. 

A repressão do regime contra a revolta popular que pede reformas deixou desde 15 de março mais de 1.300 civis mortos e mais de 10.000 detidos, segundo as ONGs sírias. A ação do regime também intensificou a saída de sírios do país, em busca de refúgio na Turquia. Somente na quinta-feira, 1.500 refugiados foram para o país vizinho depois que o Exército sírio se deslocou para a fronteira em um tentativa de reprimir os protestos, segundo a agência de notícias estatal Anatolian.

O governo provincial de Hatay disse que o número total de refugiados registrado nos acampamentos temporários já chega a 11.739, em comparação aos 10.224 do dia anterior. A maioria dos refugiados que ingressaram no país ontem estava instalada em acampamentos temporários perto da fronteira.

Segundo jornalistas da Reuters em Guvecci, um vilarejo turco na divisa entre os países, os acampamentos do outro lado da cerca que delimita a fronteira pareciam completamente desertos na manhã de sexta-feira, e não havia refugiados fazendo a travessia.

Número de refugiados na Turquia ja se aproxima de 12 mil, informaram autoridades nesta sexta-feira
Reuters
Número de refugiados na Turquia ja se aproxima de 12 mil, informaram autoridades nesta sexta-feira
De acordo com o governo de Hatay, dos refugiados que ingressaram ontem na Turquia, 50 foram atendidos por diversas causas em hospitais de Hatay e 15 deles apresentavam ferimentos de armas de fogo. Na quinta-feira de manhã, era possível ver do lado turco da fronteira soldados do regime sírio irrompendo em um povoado fronteiriço. Várias testemunhas turcas afirmam ter visto a bandeira turca que tinha sido pendurada anteriormente na torre de vigilância da floresta do povoado fronteiriço sírio ser substituída por uma bandeira síria.

Os sírios começaram a fugir de seu país em 29 de abril e algumas centenas ainda esperam do outro lado da fronteira. O ministro das Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, afirmou que Ancara está em contato com Damasco, numa resposta às preocupações manifestadas pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton. Davutoglu conversou nesta quinta-feira com o ministro das Relações Exteriores sírio, Walid Muallem, sobre a situação que se vive na fronteira e expressou sua preocupação.

*Com Reuters, EFE e AFP

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