Repressão a protesto na Guiné deixa pelos menos 157 mortos

(atualiza número de falecidos, declarações de opositores e penas internacionais). Dacar, 29 set (EFE).- Pelo menos 157 pessoas morreram em consequência da repressão policial contra a manifestação convocada na segunda-feira, em Conacri, pela oposição da Guiné, informaram hoje emissoras regionais captadas em Dacar.

EFE |

Segundo as emissoras, que citam fontes da oposição e grupos de defesa dos direitos humanos, 157 mortes foram confirmadas nos hospitais de Conacri, em sua maioria vítimas de disparos efetuados por oficiais das forças de segurança.

Um total de 87 corpos foi recolhido no Estádio 28 de Setembro, onde o protesto foi realizado e reprimido pelas forças de segurança com bombas de gás lacrimogêneo e disparos contra os manifestantes.

O restante perdeu a vida devido à atuação da Polícia e da Guarda Nacional nas ruas de Conacri.

Centenas de pessoas também ficaram feridas, incluindo dois ex-ministros e líderes da oposição, Cellou Dalein Diallo e Sidya Touré, cujas casas foram saqueadas pelos militares.

Ambos os opositores foram levados ao campo militar Alpha Yaya Diallo, sede da junta que governa Guiné desde o golpe de estado de 23 de dezembro, e posteriormente foram transferidos a uma clínica, onde receberam tratamento médico.

Touré denunciou hoje a brutalidade da intervenção policial, especialmente a exercida pela Guarda Nacional, acusada de começar a dispersar os manifestantes com uma "clara vontade de eliminá-los".

O ex-primeiro-ministro François Fall, por sua parte, denunciou violações coletivas de mulheres pelas forças de segurança, tanto no estádio, quanto nos quartéis, o que qualificou de "crime contra a humanidade", e pediu o julgamento dos responsáveis pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

Centenas de manifestantes foram detidos pelos serviços de segurança que realizam patrulhas pelas ruas da capital, que recuperou uma relativa tranquilidade, embora permaneça a tensão em alguns bairros populares.

Por sua parte, em entrevista à rádio privada senegalesa "RFM" transmitida hoje, o líder da junta militar, capitão Moussa Dadis Camara, culpou os líderes opositores pelo derramamento de sangue.

Várias organizações de defesa dos direitos humanos condenaram as ações violentas da Polícia da Guiné e exigiram uma reação urgente da comunidade internacional.

Segundo a organização Encontro Africano de Defesa dos Direitos Humanos (RADDHO, na sigla em francês), com sede em Dacar, a crise política da Guiné se originou pela vontade da junta militar de impor a candidatura de Camara nas eleições de janeiro de 2010.

Uma candidatura de Camara significaria o descumprimento de sua promessa de devolver o poder aos civis após um ano de transição, disse à imprensa o vice-presidente da RADDHO, Aboubacry Mbodj. EFE st/pd

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