Em clima pessimista, enviados participam de encontro na presença do Quarteto para o Oriente Médio e do líder jordaniano

Os chefes de negociação de paz israelense e palestino realizam seu primeiro encontro em mais de um ano nesta terça-feira, em Amã, na Jordânia na busca por uma maneira de retomar as conversas entre os dois lados.

Saiba mais: Israelenses e palestinos se preparam para encontro em clima de pessimismo

Presidente palestino Mahmud Abbas acena à multidão reunida em Ramallah, na Cisjordânia
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Presidente palestino Mahmud Abbas acena à multidão reunida em Ramallah, na Cisjordânia

Com baixas perspectivas de reais avanços, o encontro ocorre um dia depois de o presidente palestino ter ameaçado tomar "novas medidas" contra Israel até o fim do mês. Ainda assim, a reunião, na presença de diplomatas internacionais, marca a chance mais forte em meses de reavivar as negociações.

O chanceler jordaniano disse que Yitzhak Molcho, de Israel e o representante palestino, Saeb Erekat, se encontraram com enviados do Quarteto para o Oriente Médio - Estados Unidos, Rússia, União Europeia e Nações Unidas.

Depois, os dois se reuniram na presença do anfitrião jordaniano, o chanceler Nasser Judeh, para trocar posições em assuntos importantes para a segurança das fronteiras entre Israel e um futuro Estado palestino.

Um diplomata que participou da reunião disse que o tom das conversas foi "sério". "Foi uma sessão na qual os dois lados, os israelenses e os palestinos, mostraram ânsia em recomeçar as negociações de paz", disse o diplomata. Ele se negou a dar mais detalhes, acrescentando que comentários públicos poderiam afetar negativamente o sensível encontro.

O Quarteto tem trabalhado há meses para garantir uma retomada nas negociações de paz. O grupo internacional espera chegar a um acordo final de paz no final do ano. Por agora, simplesmente retomar o processo de paz marcaria uma significante realização.

As negociações entre israelenses e palestinos foram interrompidas em setembro de 2010 depois que expirou o prazo para a desaceleração das construções de assentamentos realizados por Israel.

Os palestinos recusaram voltar à mesa de negociações enquanto os assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental - áreas tomadas por Israel na Guerra de 1967 , que os palestinos esperam que faça parte do seu futuro Estado. Eles também querem que Israel se comprometa em recuar para o território definido antes da guerra.

A comunidade internacional tem apoiado as posições dos palestinos em relação aos assentamentos e às fronteiras, mas discorda em que essas sejam condições para o restabelecimento de um diálogo.

Antes da reunião de terça-feira, o presidente palestino Mahmud Abbas disse que se Israel aceitar suas condições "nós iremos negociar". Ele disse que os palestinos tinham estabelecido um prazo final até 26 de janeiro para retomar as negociações. "Depois dessa data, tomaremos medidas. E essas medidas serão duras."

Abbas acrescentou que nenhuma decisão foi tomada até o momento. Autoridades palestinas disseram que estão considerando retomar seu impulso para se tornar membro da ONU, assim como outras maneiras de isolar Israel na organização.

Autoridades israelenses se negaram a tecer comentários enquanto a reunião acontece. O premiê Benjamin Netanyahu rejeitou as reivindicações palestinas sobre as construções de assentamentos, acrescentando que as conversas deveriam ter início imediato, sem pré-condições.

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O encontro ocorre em meio à tentativa de Abbas em se reconciliar com o grupo militante Hamas , que controla a Faixa de Gaza desde 2007. Israel alertou que não negociará com um governo palestino que inclua o Hamas, que é considerado um grupo terrorista. Hamas, que é comprometido com a destruição de Israel, pediu que Abbas cancelasse o encontro desta terça-feira.

O rei Abdullah II da Jordânia implorou que palestinos e israelenses retomem negociações. Abdullah está preocupado com a crescente influência de grupos islâmicos no Oriente Médio e teme que a diminuição dos esforços de paz fortaleça os radicais.

Com AP

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