Representantes das principais religiões defendem acordo antiterrorista

Uma conferência sobre o diálogo entre religiões organizada pela Arábia Saudita em Madri terminou nesta sexta-feira com um apelo à conclusão de um acordo internacional para combater as causas profundas do terrorismo.

AFP |

"O terrorismo é um fenômeno universal que deve ser combatido com seriedade, de forma justa e responsável, mediante um esforço internacional comum", diz o comunicado final da conferência que começou quarta-feira em Madri por iniciativa do rei Abdullah da Arábia Saudita.

"Isso requer um acordo internacional para definir o terrorismo e atacar suas causas profundas, para alcançar a estabilidade no mundo", prossegue o texto lido por Abdul Rahman al-Zaid, secretário-geral adjunto da Liga Islâmica Mundial, uma organização muçulmana com sede em Meca e que organizou a conferência de Madri.

No comando de uma monarquia ultraconservadora guiada pelo wahabismo, uma doutrina rigorosa do Islã, o rei Abdullah havia inaugurado a conferência defendendo um "diálogo construtivo para abrir uma nova página de reconciliação após tantas brigas" entre religiões.

"É preciso encontrar meios de melhorar a compreensão entre os povos, apesar das diferenças de origem, de cor ou de idioma, e rejeitar o extremismo e o terrorismo", diz o texto lido ao término da conferência, que reuniu cerca de 200 pessoas, entre elas representantes das religiões muçulmana, cristã, judaica e budista.

Os organizadores do fórum intitulado "Conferência mundial sobre o diálogo" também pediram à ONU que promova "uma sessão especial sobre o diálogo para ratificar as conclusões" da reunião de Madri.

Esta sessão permitiria "favorecer o diálogo entre os adeptos das religiões, das civilizações e das culturas", segundo o texto em francês da "Declaração de Madri", divulgada ao término da conferência.

Foram mencionados durante o fórum temas como as restrições ao uso do véu em alguns países europeus, o conflito israelense-palestino e as polêmicas caricaturas de Maomé.

Na quinta-feira, os participantes também defenderam a igualdade entre homens e mulheres, "esquecidas e marginalizadas nas religiões".

De acordo com o secretário-geral da Liga Islâmica Mundial, Abdullah Ibn Abdul Mohsin al-Turki, outras conferências serão organizadas sobre o assunto para garantir "o prosseguimento do diálogo".

"Mencionamos a possibilidade de organizar uma outra no Japão", revelou.

Para o rei saudita Abdullah, o principal objetivo da conferência de Madri era melhorar a imagem do Islã, abalada pelas acusações de terrorismo posteriores aos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

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