Representante da ONU denuncia abusos sofridos por população georgiana

Tbilisi, 4 out (EFE) - O representante especial da ONU para os direitos dos deslocados, Walter Kalin, denunciou hoje os abusos sofridos pela população civil georgiana na faixa de segurança que se encontra sob controle das tropas russas.

EFE |

Nas zonas de segurança criadas pelo Exército russo em torno das separatistas regiões georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia, "são freqüentes os casos de violência e menosprezo aos direitos dos cidadãos", afirmou Kalin em entrevista coletiva em Tbilisi.

"É preciso colocar fim à violência de elementos armados em relação aos civis e criar condições para a defesa jurídica dos cidadãos, que nas condições atuais é impossível nas zonas de segurança", ressaltou o diplomata.

O representante especial do secretário-geral da ONU exigiu que a Rússia cumpra, sem falta, seu compromisso de retirar os soldados do país até a próxima sexta-feira das zonas de segurança, onde eles estão sendo substituídos por observadores da União Européia (UE).

Segundo o acordo assinado entre Rússia e UE, a missão européia deve assumir sozinha a partir de 10 de outubro as funções de observação na faixa de segurança entre o território georgiano administrado por Tbilisi e as regiões separatistas.

"As tropas russas devem abandonar no prazo previsto essas zonas, pois dezenas de milhares de pessoas querem voltar a suas casas, mas só sob garantias de sua plena segurança", disse Kalin sobre os georgianos expulsos durante a ofensiva militar russa lançada em 8 de agosto após o ataque da Geórgia à Ossétia do Sul.

O representante da ONU elogiou as medidas adotadas pelas autoridades para ajudar os deslocados pelo conflito e os esforços da comunidade mundial para prestar socorro humanitário a essas pessoas.

Durante sua visita à Geórgia, Kalin se reuniu com membros do Governo, visitou campos de refugiados em Gori, perto da Ossétia do Sul, assim como essa região separatista, sua capital, Sukhumi, e os territórios georgianos adjacentes ocupados pelas tropas russas e transformados em zonas de segurança.

"A visita serviu para estudar as possibilidades da ONU de prestar assistência aos deslocados e as perspectivas de seu retorno aos lugares de residência", disse Kalin, que entregará seu relatório ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

Enquanto isso, a Missão de Observadores da UE na Geórgia (EUMM), afirmou hoje que supervisionará atentamente o retorno dos refugiados georgianos a suas casas após a retirada das tropas russas das zonas de segurança.

O chefe da EUMM, o alemão Hans-Jörg Haber, informou que o pessoal da missão, que iniciou suas funções no país caucásico no último dia 1º, já inclui 226 pessoas, do total de 352 que terá alocadas, incluindo 200 observadores propriamente ditos.

Haber afirmou que "depois de 10 de outubro, a EUMM ampliará as zonas de patrulhas", e insistiu na necessidade de desdobrar observadores também na Abkházia e na Ossétia do Sul, apesar de os líderes de ambas as regiões se negarem a permitir-lhes acesso. EFE mv/db

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