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Repórter da BBC relata cenas de pânico em cidade bombardeada

A aviação russa bombardeou no sábado alvos na cidade de Gori, a cerca de 25 quilômetros do coração dos conflitos na província separatista da Ossétia do Sul, na Geórgia. O repórter da BBC Richard Galpin descreve o que chama de cenas de pânico no vilarejo.

BBC Brasil |

Vimos o impacto dos ataques aéreos em Gori - edifícios em chamas. Podíamos ouvir a aviação russa sobre nós. Em um dos ataques, o piloto errou a base militar alvejada e atingiu dois blocos de apartamentos civis.

Quando chegamos à cidade, chamas saíam por janelas em apartamentos onde ainda havia pessoas presas. Uma mulher suplicava aos bombeiros e soldados que a ajudassem a encontrar sua família. Dizia que havia ido ao apartamento em chamas mas não conseguira encontrar os parentes.

Vimos civis feridos sendo retirados de prédios. Havia claramente feridas muito graves. Soldados georgianos na cena dos bombardeios nos disseram que civis haviam sido mortos naqueles apartamentos. Vimos pelo menos um homem ser retirado sem vida.

Uma investida aérea atingiu uma base militar da qual aparentemente a maioria dos soldados havia conseguido sair antes das bombas. Militares disseram à BBC que os alvos eram bases na cidade. Há três, nas quais milhares estão estacionados.

Soubemos que o principal hospital da cidade estava lotado de vítimas. Havia cenas de pânico na cidade. Um grande número de soldados também procurava abrigo. Militares corriam pelas ruas e civis fugiam em busca de segurança. Nuvens de fumaça tomavam os céus de Gori.

Durante toda a noite, tínhamos visto um grande contingente de tropas georgianas chegar a esta cidade. Alguns eram reservistas, o que indica que existe uma mobilização em massa neste país.

Por ora, a situação mais crítica é na Ossétia do Sul. Bombardeios massivos atingiram a capital da província, Tskhinvali, nas últimas 48 horas. Moradores são obrigados a viver longos períodos de tempo em abrigos. Há combates também ao redor da cidade.

Autoridades da região dizem que 1,4 mil pessoas foram mortas nas primeiras 24 horas do conflito - o governo central da Geórgia diz que a estimativa não tem sentido.

Também na capital, os hospitais estão lotados de vítimas. Pelo menos cem pessoas foram internadas com ferimentos. Soubemos que cerca de 30 georgianos foram mortos - entendemos que são soldados, mas é difícil saber se isto é certo.

Na estrada da capital do país, Tbisili, para cá, havia ambulâncias indo e vindo, supostamente levando feridos para hospitais com mais infra-estrutura.

A Geórgia diz que diversas bases militares georgianas e um porto na costa do mar Negro, a centenas de quilômetros daqui, foram bombardeados pela aviação russa.

Claramente, os russos estão escolhendo alvos em diferentes partes do país.

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