Repórter da BBC descreve pânico nas ruas de Gaza

O repórter da BBC Rushdi Abou Alouf testemunhou os ataques israelenses na Cidade de Gaza. Segundo ele, o território vive um momento de pânico, com aviões israelenses por toda parte, atacando todos os lugares e crianças gritando nas ruas.

BBC Brasil |

Leia o depoimento:
"Aviões israelenses ainda estão voando sobre Gaza e acabaram de atingir mais um complexo de instalações (de segurança) do Hamas no meio da Faixa de Gaza, em um lugar chamado Khan Younis.

Dá para ver do nosso escritório aqui em Gaza, no meio da Cidade de Gaza, ambulâncias ainda retirando os feridos de prédios e crianças em idade escolar procurando lugares seguros.

Pessoas que estavam indo para o trabalho tiveram que voltar e ir para casa, e a maioria dos residentes de Gaza receberam ordens do Ministro da Saúde para não sair às ruas.

As mesquitas em Gaza estão pedindo às pessoas que vão aos hospitais e doem sangue.

Os médicos dizem que as salas de cirurgia estão cheias e que os necrotérios estão lotados e eles não tem onde colocar os cadáveres.

Eles estão pedindo para cada médico que não estaria trabalhando hoje para ir ajudá-los.

Nós vimos nas ruas de Gaza hoje, nesta noite, muitos funerais.

É uma situação muito ruim... Há aviões israelenses por toda parte, atacando todo os lugares. Dá para ver fumaça de norte a sul, de leste a oeste. As pessoas estão realmente em pânico. A principal preocupação das pessoas agora é encontrar um lugar seguro para proteger suas famílias.

Gaza não tem abrigos, não tem lugares seguros. Os complexos de segurança do Hamas ficam no meio da cidade. Este não é o lugar onde você vê complexos fora das cidades.

Eu vi um desses complexos, que fica a 20 metros da minha casa. Eu estava na sacada (de casa) e vi os aviões israelenses atacando o lugar.

Parte da minha sacada ficou danificada, e meu filho ficou ferido.

Muitas pessoas ficaram feridas dentro de suas casas hoje.

Eu vi um avião israelense lançar uma bomba em um prédio, demolindo ele. A fumaça subiu das ruínas. As crianças estavam em pânico e gritando.

As equipes de resgate demoraram seis horas para retirar as pessoas feridas do lugar e eles ainda estão vasculhando os escombros, tentando encontrar sobreviventes."

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