A publicação nesta quinta-feira pela revista Paris Match de uma reportagem sobre o grupo talibã que em 18 de agosto matou no Afeganistão 10 soldados franceses provocou uma onda de críticas, que se somam ao debate sobre a presença neste país de 3.000 solados franceses.

Na reportagem, os talibãs ameaçam matar "todos" os soldados franceses caso permaneçam no Afeganistão e são publicadas fotos nas quais os extremistas exibem armas capturadas dos soldados mortos, enquanto um deles veste um uniforme francês quase completo.

"Estes homens morreram por culpa de Bush e do seu presidente. Não queríamos matar seus maridos ou filhos. Não é contra os franceses. Vão embora, tudo ficará bem", afirma o chefe da unidade talibã entrevistado pela Paris Match.

No entanto, o 'comandante Faruki', como é identificado o líder talibã, ameaça: "Enquanto ficarem em nosso país, os mataremos. A todos".

"É algo abjeto. Dói muito ver estes assassinos (...) usando os uniformes dos jovens que mataram", declarou à AFP Joël Le Pahun, que teve o filho, Julien, assassinado.

Já a fotógrafa Veronique De Viguerie se defendeu perante as famílias. "Não queria em absoluto parecer sem coração, mas penso que apenas fiz meu trabalho".

Ao comentar a reportagem, o ministro francês da Defesa, Hervé Morin, disse que isto "se trata de uma guerra de comunicação feita pelos talibãs por meio deste tipo de operações".

O ataque de 18 de agosto matou 10 soldados franceses e feriu outros 21. As condições em que aconteceu a emboscada talibã têm sido objeto de várias perguntas e reativaram o debate sobre a presença de 3.000 soldados franceses no Afeganistão.

bur/fp

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