Réplicas e inundações ameaçam sobreviventes do terremoto na China

PEQUIM - A tragédia voltou a assolar a China neste domingo, com uma potente réplica que deixou um morto e mais de 400 feridos na província de Sichuan, epicentro do terremoto do último dia 12 que deixou pelo menos 60 mil mortos, informou a televisão nacional chinesa.

Redação com EFE |

Reuters
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Chineses fogem ao sentir poderosa réplica de terremoto

O pós-abalo, de 6,4 graus na escala Richter, fez mais de 70 mil casas desabarem na cidade de Guangyuan, que fica no distrito de Qingchuan, apontado como o primeiro ponto da superfície tocado pela nova onda sísmica.

Segundo declarações de um funcionário da Defesa Civil à agência de notícias "Xinhua", 24 dos 400 feridos estão em estado grave e foram encontrados soterrados ou em casas que desabaram, junto com o único corpo achado até o momento.

Muito potente e sentido até em Pequim, a 1.500 quilômetros de Guangyuan, o tremor também deixou um ferido no distrito de Wenxian, na vizinha província de Gansu.

A cidade de Mianyang, uma das mais afetadas pelo terremoto de duas semanas atrás, também viveu cenas de pânico neste domingo.

"Ninguém ficou parado", disse à "Xinhua" um morador da localidade, segundo quem todos saíram correndo quando sentiram o tremor.

"Percebi quando o chão e a montanha tremiam durante a réplica", disse um repórter enviado a Beichuan.

Desde que o tremor de 8 graus na escala Richter sacudiu o sudoeste da China, os moradores colocam garrafas de boca para baixo para detectar as réplicas que vêm sendo registradas.

Hoje, todas elas caíram, e, assim como antes do pior terremoto em três décadas no país, alguns sinais, como uma neblina súbita na cidade de Hanzhong, o surgimento de fortes ventos e a queda nas telecomunicações, indicaram a possibilidade de um pós-abalo 40 minutos antes de seu registro.

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País devastado

Fora a ameaça de novos tremores, os devastados povoados da província de Sichuan, nos quais 5,5 milhões de chineses têm dormido na rua, vivem o risco de serem inundados por um lago que se formou na região, em direção ao qual 1.800 soldados das Forças Armadas partiram neste domingo.

Segundo um porta-voz do Exército chinês, os militares estão escalando o acidentado relevo da região com quase 20 mil quilos de dinamite, explosivo que será usado para detonar a barragem de pedras que tem impedido o escoamento das águas.

A situação deve se complicar ainda mais nos próximos dias, já que as chuvas de monções previstas pelo serviço meteorológico podem fazer transbordar as 69 represas da região que correm o risco de se romperem, embora o vice-ministro de Recursos Hidrogáficos, E Jingping, tenha dito que tudo está "sob controle".

Resgates continuam

Em meio ao pânico de hoje, as equipes de resgate conseguiram salvar Xiao Zhihu, um homem de 80 anos que foi resgatado com vida na cidade de Mianzhu, depois de 226 horas sob escombros.

Apesar de o governo chinês ter reagido rápido ao desastre, os desabrigados estão cobrando a responsabilidade do setor da construção civil, o mais corrupto do país, no desabamento de escolas, nas quais cerca de 8.000 mil crianças morreram.

Olimpíada de Pequim

Com um total de 62.664 mortos, 23.775 desaparecidos e 358.816 feridos reconhecidos pelas autoridades locais, o terremoto do último dia 12, além de traumatizar o país, tirou totalmente o brilho dos preparativos para os Jogos Olímpicos de Pequim, em agosto.

O impacto negativo do tremor de terra foi tão grande que modificou o trajeto do revezamento da tocha olímpica - interrompido por três dias por luto -, que chegará mais tarde do que o previsto a Sichuan e passará muito rapidamente pelo Tibete, onde sua passagem de três dias pode intensificar as revoltas contra o domínio chinês.

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