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Renúncia e casos de corrupção marcam Governo israelense em 2008

Elías L. Benarroch.

EFE |

Jerusalém, 20 dez (EFE) - O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, viu-se obrigado a anunciar, em setembro, sua renúncia devido a vários escândalos de corrupção, o que causou a antecipação das eleições gerais para fevereiro de 2009.

Isso tudo acabou deixando em segundo plano o processo de paz no Oriente Médio e colocou fim às esperanças de que, em 2008, fosse possível alcançar um acordo que permitisse a criação de um Estado palestino independente.

As próximas eleições legislativas, das quais também sairá o novo primeiro-ministro, são fundamentais para os esforços realizados por israelenses e palestinos com esse objetivo, porque os dois partidos favoritos, Kadima e Likud, têm posições opostas sobre as negociações iniciadas em Annapolis em novembro de 2007.

Olmert, que assumiu o cargo em janeiro de 2006 após Ariel Sharon ter sido internado depois de sofrer um derrame, e que teve o mandato validado eleitoralmente três meses mais tarde, era muito criticado devido ao fracasso do Exército israelense no conflito com o Líbano em 2006, quando começou a ser atingido pelos primeiros escândalos.

Tráfico de influência, suborno, corrupção e fraude são só alguns dos crimes dos quais é suspeito pela suposta falsificação de contas em viagens extra-oficiais, por favorecer um empresário americano em troca de "doações", e por obter um grande abatimento na compra de um imóvel particular.

Golpeado por vários lados, Olmert afirmou que renunciaria assim que fosse acusado formalmente, apesar de a pressão da opinião pública e de seu próprio partido, o Kadima, e de outras legendas aliadas ao Governo terem culminado com sua dramática renúncia, no dia 21 de setembro.

Um dia depois, sua sucessora à frente do Kadima, Tzipi Livni, recebia das mãos do presidente Shimon Peres a incumbência de formar um novo Governo.

No entanto, impossibilitada de fazê-lo e de repetir a coalizão com os ultra-ortodoxos do Shas, a também ministra das Relações Exteriores israelense acabou pedindo a convocação de eleições, marcadas para 10 de fevereiro.

Ao justificar sua decisão, Livni alegou que buscava "outro tipo de política", uma que estivesse isenta das freqüentes "extorsões" sofridas por parte dos partidos menores, e que "não hipotecassem a estabilidade da economia israelense" em momentos de crise.

Esse argumento não convenceu a população, que, acostumada a anos de corrupção institucional, interpretou a declaração como um sinal de fraqueza, a julgar pelas últimas pesquisas.

As enquetes dão ao conservador Likud, dirigido pelo ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, uma recuperação de quase 300% em número de cadeiras, das atuais 11 a pelo menos 31 na próxima legislatura.

O Kadima, fundado por Sharon em 2005 após deixar o Likud - o que se insere no contexto da retirada da Faixa de Gaza -, sairia das 29 cadeiras para 26.

Meir Sheetrit, ministro do Interior e chefe de campanha informativa no Kadima, reconhece que Netanyahu terá "boas possibilidades de formar Governo", com uma coalizão de direita de até 65 deputados dos 120 do Parlamento.

Ao longo dos últimos meses, Netanyahu manteve-se em segundo plano, com a esperança de que Livni e o Kadima sucumbissem paralelamente ao Partido Trabalhista, que, pela primeira vez em sua história, se situaria abaixo das 10 cadeiras, de acordo com as pesquisas.

Com uma direita que parece estar ansiosa para chegar ao poder, a principal vítima da mudança de Governo em Israel pode ser o processo de paz de Annapolis.

A antecipação das eleições paralisou completamente as negociações de paz que israelenses e palestinos realizavam no último ano, com o objetivo histórico de concretizar um acordo sob a fórmula de "dois Estados para dois povos".

O prazo original para alcançar um acordo de paz, no fim de 2008, foi descartado no início do segundo semestre, mas o pacto corre o risco de desaparecer se o Likud vencer as eleições.

Netanyahu propõe como alternativa ao processo de Annapolis uma "paz econômica", ou seja, uma etapa prévia à reativação nos territórios ocupados por Israel antes de falar em um Estado palestino.

A divisão de Jerusalém ou a devolução das Colinas do Golã à Síria não aparecem em seus planos, o que é inaceitável para os palestinos e os países árabes.

A incerteza diplomática só será esclarecida por volta de março, quando em Israel houver um novo Governo e nos Estados Unidos o novo chefe da Casa Branca, Barack Obama, demonstrar as suas intenções à região. EFE elb/db/mh

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