Renúncia do premiê da ANP busca reconciliação entre Hamas e Fatah

Fathi Natur. Ramala, 7 mar (EFE).- O primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Salam Fayyad, anunciou que apresentou hoje sua renúncia a fim de preparar o terreno para a criação de um Governo de união nacional entre o Hamas e o Fatah A carta de renúncia, entregue ao presidente da ANP, Mahmoud Abbas, entrará em efeito imediatamente depois da formação do Governo nacional de consenso e, em qualquer caso, no máximo no fim deste mês, afirmou o escritório de Fayyad, em comunicado.

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"Este passo é destinado a apoiar os esforços de formação de um Governo de consenso nacional (...) que restaure a unidade na pátria", acrescenta a nota.

As facções palestinas iniciarão na próxima terça-feira, no Cairo, uma série de reuniões intensivas em comitês para fechar um acordo sobre Governo, segurança, eleições, reconciliação e reforma da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

A criação destes comitês foi anunciada no último dia 25 em um grande encontro na capital egípcia, onde - após várias tentativas fracassadas - o Hamas e o Fatah decidiram deixar para trás suas diferenças e unir forças, em parte para reconstruir a destruição causada em Gaza devido à recente ofensiva israelense.

Na opinião do chefe de Governo palestino, "a atmosfera positiva" atingida nessa primeira rodada de diálogo oferece "uma valiosa oportunidade" que deve ser aproveitada "para colocar fim ao atual estado de fragmentação".

Por isso, a prioridade de Fayyad é "agilizar" a criação de um Executivo liderado pelo Fatah e Hamas, as duas principais facções palestinas, particularmente em conflito desde a tomada de Gaza pelos islamitas, em junho de 2007.

Desde essa data, a ANP só exerce sua soberania na Cisjordânia, enquanto o Hamas controla a Faixa de Gaza.

O futuro Executivo deveria atuar forma transitória, até a realização de eleições presidenciais e legislativas simultâneas antes de janeiro de 2010, afirmou Fayyad.

Fontes da OLP interpretaram o anúncio do ainda primeiro-ministro como uma ferramenta de "pressão às diferentes facções palestinas" para que cheguem a um acordo.

"Também é uma mensagem à comunidade internacional", que elogiava Fayyad constantemente, mas "permitia a expansão regular de assentamentos israelenses na Cisjordânia" em pleno processo de paz de Annapolis, disseram as fontes.

Por causa da renúncia, o Comitê Executivo da OLP se reunirá ainda hoje, informaram fontes desta organização.

Respeitado economista, Fayyad foi designado primeiro-ministro por Abbas em junho de 2007, após a dissolução do breve Governo de união nacional por ocasião da expulsão de Gaza de suas forças de segurança leais pelos homens do Hamas.

Líder do minoritário partido Terceira Via, Fayyad é considerado um tecnocrata eficaz aplaudido pela comunidade internacional.

Mesmo os palestinos que reprovam suas boas relações com Israel e EUA, junto com sua disponibilidade de fazer concessões ao Estado judeu, reconhecem a honestidade e a eficiência como gestor de Fayyad.

O mandato do premiê não esteve, no entanto, isento de polêmica, pois sua nomeação nunca foi submetida a voto no Parlamento, controlado pelo Hamas, como exige a Lei Básica palestina.

O Hamas enviou hoje ao Egito os nomes de seus representantes nos comitês de diálogo, informou um de seus deputados, Salah al-Bardawil.

O delegado de maior peso será Moussa Abu Marzooq, "número dois" do escritório político do Hamas em Damasco, que analisará a reforma da OLP, à qual o movimento islâmico não pertence.

Em caso de ausência, seria substituído pelo homem forte do Hamas em Gaza, o ex-ministro de Exteriores Mahmoud Zahar.

O Fatah já enviou ao Cairo sua lista de representantes. EFE fn-sar-ap/an

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