Renúncia de Olmert abre corrida para formação de novo Governo em Israel

Antonio Pita. Jerusalém, 21 set (EFE).- A renúncia apresentada hoje por Ehud Olmert de seu cargo de primeiro-ministro de Israel abriu uma corrida contra o relógio para a formação de um novo Governo, e os diferentes partidos políticos já se movimentam para alcançar seus objetivos e garantir seus interesses.

EFE |

Olmert entregou hoje sua carta oficial de renúncia ao presidente israelense, Shimon Peres, em uma reunião que durou cerca de meia hora na residência oficial deste último, em Jerusalém.

"O primeiro-ministro me apresentou sua renúncia. Não foi uma decisão fácil e sei que para ele foi uma noite difícil", disse Peres em entrevista coletiva após o encontro com Olmert, a quem agradeceu por "seus serviços ao Estado" e sua "forma honorável" de abandonar o cargo.

Olmert, de 63 anos, assumiu a chefia do Governo em janeiro de 2006, após o derrame cerebral do então primeiro-ministro, Ariel Sharon. Dois meses depois, revalidou seu mandato ao vencer o recém-criado partido Kadima nas eleições gerais.

Em julho deste ano, viu-se obrigado a anunciar sua renúncia após perder apoios em sua coalizão ao ser investigado por vários casos de suposta corrupção.

Peres pediu a todos os grupos parlamentares que se reúnam com ele para preparar a formação de um novo Executivo.

O chefe de Estado israelense recebeu esta mesma noite em sua residência os representantes dos quatro principais partidos políticos (Kadima, Likud, Partido Trabalhista e Shas).

É bem provável que Peres encarregue a ministra de Exteriores, Tzipi Livni, de formar um Governo como líder do Kadima, a legenda majoritária na Knesset, o Parlamento israelense.

A chefe da diplomacia de Israel, vencedora das eleições primárias do partido na última quarta-feira, terá então três dias para cumprir a incumbência e, após esta formalidade, mais seis semanas para tentar formar um Executivo de coalizão.

O agora primeiro-ministro interino parabenizou Livni e lhe disse que espera que "forme um Governo tão logo seja possível".

A princípio, Livni pretende manter a atual coalizão governista, que soma 64 das 120 cadeiras do Parlamento israelense: 29 do Kadima, 19 do Partido Trabalhista, 12 do partido ultra-ortodoxo sefardita Shas e quatro do Partido dos Aposentados.

Se não conseguir constituir um novo Executivo no prazo previsto, Peres pode encarregar outra pessoa da formação do Governo ou convocar eleições antecipadas, possivelmente para março de 2009.

Em qualquer um dos dois casos, Olmert seguirá como primeiro-ministro interino até que um novo Executivo seja formado.

Livni não perdeu tempo e nos últimos dias se reuniu com os líderes de vários partidos, embora a formação de um novo Governo consista em uma árdua tarefa.

O ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, líder do principal partido de oposição, o Likud, reivindica diariamente a antecipação do pleito e se recusa a formar um Governo com o Kadima.

Segundo ele, isso equivaleria a se unir ao conselho de administração do Lehman Brothers, o banco de investimento que na segunda-feira passada declarou sua quebra.

Quanto aos membros do Governo, o Shas condiciona sua permanência ao aumento das ajudas por número de filhos (o que beneficiaria grande parte de seus eleitores, mas poderiam tirar de Livni o apoio de outros partidos) e a que a eventual divisão de Jerusalém fique de fora da negociação com os palestinos.

O Partido Trabalhista, liderado pelo ministro da Defesa, Ehud Barak, também prefere dar voz aos eleitores, segundo publicou hoje o jornal "Ha'aretz", que citou fontes desta legenda.

Segundo o jornal, Barak e Netanyahu se preparam para cooperar com vistas à convocação de eleições antecipadas.

Como assinala com humor o comentarista político Yossi Verter na edição de hoje do "Ha'aretz": "Parece claro que para Livni será mais fácil formar uma coalizão com o presidente sírio, Bashar al-Assad, do que com seus colegas em Israel". EFE ap/ab/sc

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