Renúncia de ministros agrava crise política na África do Sul

Por Michael Georgy JOHANESBURGO (Reuters) - Mais de um terço do gabinete sul-africano renunciou nesta terça-feira, inclusive o respeitado ministro das Finanças, agravando a maior crise política no país desde o fim do regime racista do apartheid.

Reuters |

A saída do ministro das Finanças, Trevor Manuel, abalou os mercados e derrubou a cotação do rand, que no entanto se recuperou depois que assessores disseram que o político estaria dispostos a ser reconduzido à pasta sob um futuro presidente que não o demissionário Thabo Mbeki

A debandada de ao menos 10 ministros e um vice-presidente (num gabinete de 30 integrantes) ocorreu depois de Mbeki anunciar sua demissão, no domingo, em resposta à pressão de seu partido, o Congresso Nacional Africano.

O Parlamento deve eleger na quinta-feira o vice-líder do partido, Kgalema Motlanthe, para ocupar interinamente o governo até as eleições gerais de 2009. Mbeki renunciou após ser acusado de intervir numa investigação sobre corrupção envolvendo o líder do partido, Jacob Zuma.

Thoraya Pandy, porta-voz do Ministério das Finanças, disse que Manuel 'se sentiu na obrigação (de renunciar) pois servia ao presidente, e o presidente Thabo Mbeki renunciou.'

'Entretanto, o ministro indicou uma forte disposição de assistir e servir ao novo governo sob qualquer condição que lhe solicitarem', acrescentou.

Assim como o rand, o principal índice da Bolsa local, o Top-40, também se recuperou parcialmente depois dessa notícia.

A queda, que chegou a 4 por cento com o anúncio das demissões, parou em 2,8 por cento.

O Banco Central informou que seu presidente, Tito Mboweni, também permanecerá no cargo.

Mas as notícias políticas podem afetar a confiança dos investidores na África do Sul, país mais rico da África.

Zuma, favorito para se tornar presidente depois da eleição de 2009, tenta tranquilizar os investidores estrangeiros de que não vai ceder à pressão de sindicalistas de esquerda para abandonar políticas de mercado.

O dirigente não esconde seu apoio à interinidade de Motlanthe, e na segunda-feira prometeu que o partido vai promover uma transição suave, sem alterar a política econômica.

O CNA sai, porém, profundamente dividido da longa disputa entre Mbeki e Zuma.

(Reportagem adicional de Gordon Bell e Wendell Roelf)

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