Renúncia de autoridades do Governo mauritano afeta país

Nuakchott, 7 mai (EFE) - A renúncia em peso do Governo mauritano, anunciada esta noite, ocorre em um período de crise em um dos países mais pobres da África, que sofre com a perspectiva de uma grave crise de fome e pela ameaça terrorista.

EFE |

O Governo de Zeine Ould Zeidane apresentou sua renúncia ao presidente da república, Sidi Mohammed Ould Cheikh Abdallahi, que há um ano havia colocado fim, com sua eleição, a um período de transição de um Governo militar que tinha derrubado o ditador Mauiya Sid'Ahmed Sid'Ahmed Taya.

"O presidente da república recebeu hoje o primeiro-ministro, Zeine Ould Zeidane, que lhe apresentou a renúncia de seu Governo", indicou secamente em comunicado à Presidência do país, sem mais explicações.

Imediatamente, foi divulgado que o substituto do primeiro-ministro é Yahya Ould Ahmed el-Waghev, antigo ministro secretário-geral da Presidência da república e que também é presidente do partido ADIL, o mesmo do presidente mauritano.

Embora no comunicado não sejam mencionados os motivos da renúncia do primeiro-ministro mauritano, foi confirmado que durante as últimas semanas grande parte da classe política do país acusava o Governo de ter fracassado em sua ação.

Em abril passado, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU considerou que 200 mil mauritanos precisam de ajuda internacional imediata estimada em US$ 7 milhões para amenizar a "aguda" escassez de produtos básicos e o aumento mundial dos preços dos cereais.

A ação combinada da falta de chuvas e os altos preços das matérias-primas nos mercados internacionais agravaram as perspectivas deste país, considerado pelo PMA como atravessando um momento de grande "vulnerabilidade".

Mas, durante os últimos meses a Mauritânia atravessou um período de forte incerteza como conseqüência de vários ataques terroristas atribuídos a seguidores da organização Al Qaeda e vários islamismas salafistas foram detidos nos últimos dias.

Um total de 35 supostos membros dos Seguidores Morabitunes do Islã - denominação conhecida como conseqüência da investigação oficial sobre os islamitas salafistas - foi detido nos últimos dias na Mauritânia, sobretudo em Nuakchott, onde é patente a vigilância das forças de segurança.

A investigação permitiu saber que os supostos terroristas mantinham seu objetivo de atacar a Embaixada de Israel na Mauritânia - já objeto de um ataque com três feridos em 1º de fevereiro - e que, entre outras intenções, tinham o de cometer atentados contra a legação francesa em Nuakchott.

Os últimos seis meses foram testemunhas de um aumento constante da ameaça terrorista - marcada desde 24 de dezembro pelo assassinato de quatro turistas franceses no sul do país -, que esteve entre as razões principais, segundo seus organizadores, da suspensão do rali Lisboa-Dacar, que passaria por território mauritano.

Em abril, um confronto entre forças de segurança contra um grupo de supostos islamitas em Nuakchott causou a morte de um total de três pessoas - um policial e dois supostos terroristas.

Além do nervosismo, a aparentemente falta de coordenação das forças de segurança, provocou a morte de um civil por causa de uma informação equivocada.

O primeiro-ministro que renunciou na segunda-feira, Ould Zeidane, tinha sido eleito primeiro-ministro pelo presidente Abdallahi pelo apoio oferecido durante o segundo turno das eleições presidenciais, realizadas em março de 2007.

Candidato a esse mesmo pleito, o já ex-primeiro-ministro conseguiu no primeiro turno aproximadamente 15% dos votos, atrás de Ahmed Ould Daddah (com 19%) e de Ould Cheikh Abdallahi (que conseguiu 22%).

Abdallahi foi eleito presidente nas primeiras eleições presidenciais realizadas na Mauritânia após o período de transição no qual o país esteve governado por uma junta militar.

Esta junta foi a que derrubou o ditador Mauiya Sid'Ahmed Sid' Ahmed Taya, em agosto de 2005, após o qual se comprometeu a ceder o poder aos civis após um processo de transição que durou cerca de dois anos.

A junta militar respeitou seus compromissos e após o pleito de abril, nos quais os observadores internacionais estimaram que não houve fraude, abandonou o poder. EFE jam/bm/db

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