Washington, 26 mai (EFE).- Um medicamento usado no tratamento contra o câncer apaga as impressões digitais dos pacientes e esse efeito se transformou em um problema para as autoridades de imigração dos Estados Unidos.

Uma carta de um médico publicada hoje pela revista "Annals of Oncology" revela que um desses pacientes foi retido em um posto de imigração fronteiriça porque não tinha impressões digitais.

O homem tem metástase no pescoço e na cabeça, mas respondeu bem à quimioterapia, baseada principalmente em um composto identificado como Capecitabine.

Eng-Huat Tan, do Departamento Nacional de Oncologia do Centro Nacional do Câncer, em Cingapura, recomendou que os pacientes que usem Capecitabine levem consigo uma carta do médico que certifique o uso do remédio quando chegarem aos Estados Unidos.

O Capecitabine é um remédio antimetabólico usado para tratar vários tipos de câncer e um de seus efeitos é a inflamação crônica da planta dos pés e da palma das mãos.

Como resultado, ocorrem desprendimentos da pele, hemorragias, úlceras e marcas, e "com o tempo isso leva ao desaparecimento das impressões dos dedos", afirmou Tan.

O oncologista contou que, em dezembro de 2008, um dos pacientes que estava há três anos sob o tratamento de Capecitabine chegou aos Estados Unidos para visitar parentes.

"Ficou detido durante quatro horas porque os agentes de imigração não podiam detectar suas impressões digitais", afirmou.

Por fim, o homem, procedente da Ásia, recebeu permissão para entrar no país quando as autoridades de imigração constataram que não constituía uma ameaça para a segurança. EFE ojl/db

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