Um influente clérigo saudita lançou um decreto religioso (fatwa) dizendo que as mulheres que cobrem suas faces com um véu devem deixar apenas um olho descoberto. O xeque Mohamed Al Habdan fez a afirmação durante um programa de TV por satélite da emissora Al Maid, que transmite para vários países do mundo árabe e já foi plataforma para o lançamento de outras fatwas.

"Quando Ibn Abbas (um conhecido estudioso do islamismo) lia uma passagem do Alcorão (o livro sagrado dos muçulmanos) que mencionava o véu, ele cobriu sua face e um olho, mostrando apenas um pouco do outro olho e disse: este é o véu que cobre o rosto, apenas o suficiente para ver o caminho", disse ele.

Ele disse que as mulheres muçulmanas que usam o niqab, ou véu que cobre o rosto, ajustem a indumentária para que ela passe a cobrir um dos olhos.

Segundo ele, mostrar os dois seria "islamicamente incorreto", por não ser recatado o suficiente.

O niqab é bastante comum em vários países do Golfo e vem se tornando cada vez mais popular em países tradicionalmente mais liberais como o Egito.

Outras polêmicas
Al Habdan já emitiu outras fatwas polêmicas, como a que proibia mulheres de saírem de casa sem a companhia de um mehrem, que é um guardião homem que seja proibido de casar legalmente com ela, como o pai, filho ou um irmão.

Outros decretos controversos já foram emitidos no canal de TV Al Maid. O importante clérigo Saleh El-Lheidan condenou aqueles que assistem aos Jogos Olímpicos e novelas turcas.

"Nada deixa o demônio mais contente do que assistir essas atletas mulheres competindo em trajes apertados", disse ele.

Para Lheidan, o problema das novelas turcas, um fenômeno atual de audiência no mundo árabe, seriam as cenas ambientadas nos quartos, algo proibido segundo o religioso.

Lheidan chegou a autorizar o assassinato de donos de emissoras que transmitem programas considerados anti-islâmicos, mas voltou atrás e disse que a sentença de morte deveria ser aprovada antes por um tribunal islâmico.

Outra fatwa incomum emitida recentemente foi a que classificou o personagem Mickey Mouse como um "agente de satã".

O xeque saudita Muhamed Munajid disse que, "tanto o rato doméstico como seu equivalente na ficção devem ser mortos".

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