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Relatórios secretos alemães precipitaram invasão do Iraque, diz Der Spiegel

Berlim, 13 dez (EFE).- Mais de 100 relatórios que dois agentes dos serviços secretos alemães (BND) em Bagdá fizeram chegar ao comando americano contribuíram para acelerar a invasão do Iraque em 2003, segundo disseram dois militares norte-americanos à revista Der Spiegel.

EFE |

Na edição que sairá na segunda-feira, e da qual se adiantam hoje extratos, o general reformado James Marks fala sobre o papel dos agentes alemães durante o conflito.

O agora analista militar classifica a ajuda alemã de "extremamente importante e valiosa" ao ponto de assegurar que "confiávamos mais nas informações da Alemanha do que na CIA".

Estas informações saem à luz quando a comissão parlamentar que estuda a suposta participação dos serviços secretos germânicos durante a Guerra do Iraque interrogará nesta quinta-feira, mais uma vez, o ministro de Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, que na época era chefe da Chancelaria federal e coordenador dos serviços secretos.

Marks afirma à revista que os relatórios do BND contribuíram para antecipar a data da invasão e a descartar a aterrissagem de pára-quedistas no aeroporto de Bagdá.

Os social-democratas, que então formavam Governo com os Verdes sob o comando de Gerhard Schröder, asseguram que a ação dos dois agentes do BND contribuiu para salvar vidas.

A coronel Carol Stewart, que dirigia a divisão para assuntos de inteligência do Comando Central destaca ao "Spiegel" o "excelente trabalho" realizado pelos alemães: "Sabia que os alemães estavam contra a guerra e, por isso, me surpreendeu que fossem tão prestativos conosco", explica.

Segundo a "Der Spiegel", os dois agentes alemães, que permaneceram em Bagdá durante a guerra, enviaram um total de 130 relatórios, com fotos e dados GPS, ao comando americano no litoral kuwatiano, no acampamento base de Doha.

Segundo Marks, a informação decisiva foi a que lhes chegou em 25 de fevereiro sobre os campos petrolíferos de Dora, já que queriam evitar a todo custo que o então presidente iraquiano, Saddam Hussein, destruísse suas reservas de petróleo como fez 12 anos antes na primeira Guerra do Golfo.

O porta-voz de Relações Exteriores alemão, Jens Plötner, reiterou hoje em Berlim o que Steinmeier disse sempre, isto é, que "Alemanha se declarou desde o início contrária à Guerra do Iraque e por isso não participou do conflito armado".

O representante do Partido Liberal (FDP) na comissão, Max Stadler, que desde a oposição sempre defendeu a tese que a espionagem alemã passou informação militar relevante aos Estados Unidos, reivindica na revista dominical "Welt am Sonntag", que a comissão parlamentar convoque Marks e Stewart para depor sobre o ocorrido.

Para Stadler, a investigação põe em dúvida a credibilidade do Governo de esquerda do ex-chanceler Schröder que tinha como uma de suas bandeiras a oposição à Guerra do Iraque. EFE umj/jp

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