Relatório sobre voo AF447 recomenda mudança em caixas-pretas

Por Sophie Taylor PARIS (Reuters) - As caixas-pretas das aeronaves deveriam ser adaptadas para emitir sinais durante mais tempo a fim de facilitar o encontro dos registros de voo após acidentes no mar, afirmaram nesta quinta-feira especialistas que investigam o desastre da Air France no voo Rio-Paris.

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As tentativas da agência francesa de investigação de acidentes aéreos (BEA, na sigla em francês) de descobrir as causas da queda do avião em 31 de maio no Atlântico foram prejudicadas pelo fato de as caixas-pretas ainda não terem sido encontradas.

Mais de seis meses após o desastre, que matou as 228 pessoas a bordo, as causas permanecem misteriosas. Uma nova busca marítima começará em fevereiro de 2010, na esperança de encontrar as caixas-pretas ou ao menos mais destroços do avião.

"Neste estágio, apesar da análise extensiva executada pela BEA com base na informação disponível, ainda não é possível compreender as causas e as circunstâncias do acidente", afirmou o mais recente relatório da BEA.

O documento recomendou que os sinalizadores subaquáticos instalados nos registros de vôo emitam sinais por 90 dias em vez dos atuais 30, para dar mais tempo às operações de busca.

Também disse que os aviões de passageiros sobrevoando o oceano deveriam ser equipados com um sinalizador extra transmitindo numa frequência distinta, a fim de aumentar as chances de localizar os destroços.

Especialistas da BEA afirmaram que os problemas com as sondas de velocidade do avião do vôo AF447 da Air France eram um dos fatores de uma série de acontecimentos que levaram ao acidente, mas não a causa única.

O relatório afirmou que os testes atuais dos equipamentos não pareciam reproduzir as condições dos vôos reais porque não se sabia o suficiente sobre a composição das massas das nuvens em altas altitudes.

"Nesse contexto, os testes destinados à validação desse equipamento não parece ser bem adaptado aos vôos em alta altitude", disse a agência.

Foram encontradas apenas algumas partes do Airbus A330. No entanto, uma série de mensagens automáticas pouco antes do acidente mostrou inconsistência nos dados provenientes das sondas de medição de velocidade.

A BEA afirmou que era difícil saber o impacto que as condições meteorológicas teriam sobre as chamadas sondas de Pitot.

"Os critérios de certificação (para as sondas) não são representativos das condições encontradas de fato em alta altitude, por exemplo, com relação às temperaturas", disse.

"Além disso, parece que alguns elementos, como o tamanho dos cristais de gelo dentro das massas de nuvens, são pouco conhecidos."

A BEA recomendou que as autoridades façam estudos para determinar com maior precisão a composição das massas das nuvens de alta altitude, e modifique os critérios de certificação com base nos resultados obtidos.

(Reportagem adicional de Estelle Shirbon)

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